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Revista de Saúde Pública - Finding of Aedes aegypti breeding in bromeliad

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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.34 n.5 São Paulo Oct. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102000000500016 

Notas e Informações

Notes and informations

Nota sobre o encontro de Aedes aegypti em bromélias*
Finding of Aedes aegypti breeding in bromeliad

Oswaldo Paulo Forattinia e Gisela Rita Alvarenga Monteiro Marquesb

aDepartamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. bSuperintendência de Controle de Endemias (SUCEN), São Paulo, SP, Brasil

 

 

DESCRITORES
Aedes#. Plantas#. Ecologia de vetores#. ¾ Aedes aegypti. Bromélias.
RESUMO
Descreve-se o encontro de formas imaturas de Aedes aegypti em bromélia domesticada para fins decorativos. São feitas considerações sobre as implicações desse encontro para o controle desse mosquito.
KEYWORDS
Aedes#. Plants#. Ecology vector#. ¾ Aedes aegypti. Bromeliads.
ABSTRACT
A breeding place of
Aedes aegypti immature forms were found in bromeliads domesticated for decorative purposes. Implications for the control measures were considered.

 

 

As atividades de vigilância destinadas a detectar a presença de Aedes aegypti em recipientes nos quais possam se desenvolver as formas imaturas têm objetivado a inspeção de vários tipos, transitórios e permanentes. O habitat desse mosquito parece ter certa preferência por ambientes com maior riqueza de microorganismos e de matéria orgânica (Barrera,1 1996). Nesse particular, os vegetais Bromeliaceae (bromélias) reúnem tais requisitos. Podem ser considerados como recipientes permanentes e ricos em detritos orgânicos, os quais se acumulam na água existente na parte da planta conhecida como tanque. Nela desenvolve-se micro e macro floras e faunas, formando biocenose da qual podem participar formas imaturas de mosquitos Culicidae. Trata-se, pois de microcosmos com gradiente ecológico para tais comunidades e, portanto, não simples fitotelmatas como freqüentemente têm sido consideradas (Richardson,4 1999).

Em janeiro de 2000, durante inspeção que resultou na visita a 520 prédios situados no município de Potim, situado a cerca de 150 km da cidade de São Paulo, SP, pôde-se detectar a presença de larvas de Aedes aegypti em 117 edificações (Tabela). Isso correspondeu ao índice de Breteau equivalente a 22,5. Dentre os habitats figurou o encontro de três larvas em bromélia domesticada (Forattini et al,3 1998) da espécie Aechmea fasciata. Além dela, e na mesma residência, foi possível coletar onze dessas formas imaturas em prato de sustentação de xaxim, bem como treze na caixa d'água. Assim, tratava-se de jardim situado na parte traseira dessa casa, como pode ser apreciado pela foto constante da Figura. Tal achado dá ensejo a várias reflexões epidemiológicas.

 

 

 

Há de se considerar o crescente hábito de domesticação de bromélias, com vistas a finalidades decorativas. Isso resulta em incremento de recipientes viáveis para a oviposição e subseqüente desenvolvimento de Aedes aegypti e de outras espécies de culicídeos. Em última análise, trata-se de processo de domesticação que tem paralelo com a de cães e gatos, daí resultando conseqüentes problemas de saúde pública.

Dessa maneira, desenvolveu-se traço cultural tornando difícil o controle, uma vez que as bromélias ornamentais não seriam descartáveis. Ainda mais, trata-se de recipientes dificilmente esgotáveis, no sentido de esvaziá-los de seu conteúdo líquido, à semelhança do que se preconiza realizar com outros (Chan et al,2 1998). Por sua vez, estando regularmente sujeitos à rega, o nível aquático é mantido. Sendo assim, desempenham papel em todo semelhante ao daquele recipiente que contém, de maneira permanente, esse líquido. Acresce considerar que as inspeções são rotineiramente dirigidas à coleta de larvas de quarto estádio e de pupas. Assim sendo, é de se admitir a existência de outras formas imaturas, as quais poderiam se encontrar em desenvolvimento nesses habitats.

Tais considerações merecem ser levadas em conta face à atual campanha de erradicação desse mosquito no Brasil. Há muitos fatores, não apenas por parte da população-objeto, mas também derivados de hábitos da sociedade humana.

 

AGRADECIMENTO

À Professora Maria das Graças L. Wanderley, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, pela identificação da bromélia encontrada.

 

REFERÊNCIAS

1. Barrera R. Competition and resistance to starvation in larvae of container-inhabiting Aedes mosquitoes. Ecol Entomol 1996;21:117-27.         [ Links ]

2. Chan AST, Sherman C, Lozano RC, Fernández EA, Winch PJ, Leontsini E. Development of an indicator to evaluate the impact, on a community-based Aedes aegypti control intervention of improved cleaning of water-storage containers by householders. Ann Trop Med Parasitol 1998;92:317-29.         [ Links ]

3. Forattini OP, Marques GRAM, Kakitani I, Brito M de, Sallum MAM. Significado epidemiológico dos criadouros de Aedes albopictus em bromélias. Rev Saúde Pública 1998;32:186-8.         [ Links ]

4. Richardson BA. The bromeliad microcosm and the assessment of faunal diversity in a neotropical forest. Biotropica 1999;31:321-36.         [ Links ]

 

Correspondência para/Correspondece to:
Oswaldo Paulo Forattini
Núcleo de Pesquisa Taxonômica e Sistemática em Entomologia Médica (NUPTEM)
Av. Dr. Arnaldo, 715
01246-904 São Paulo, SP, Brasil
E-mail: opforati@usp.br

 

*Subsenvionado pela "Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)" (Processo Temático 95/03814).
Edição subvencionada pela Fapesp (Processo nº 00/01601-8).
Recebido em 14/7/2000. Aprovado em 28/7/2000.