It is the cache of http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-90161999000100003. It is a snapshot of the page. The current page could have changed in the meantime.
Tip: To quickly find your search term on this page, press Ctrl+F or ⌘-F (Mac) and use the find bar.

Scientia Agricola - ELECTRICAL CONDUCTIVITY OF TOMATO SEEDS (Lycopersicon lycopersicum L.)

SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.56 issue1THE EFFECT OF GIBBERELLIC ACID ON KIWI (Actinidia chinensis Pl.) SEED GERMINATIONPOLYAMINES AND PEROXIDASE ACTIVITY IN BEAN (Phaseolus vulgaris L.) GROWN UNDER SALINE STRESS author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol.56 n.1 Piracicaba  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000100003 

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA EM SEMENTES DE TOMATE (Lycopersicon lycopersicum L.)1

 

Marco Eustáquio de Sá2,*
2Depto. de Fitotecnia, Economia e Sociologia Rural - Faculdade de Engenharia/UNESP, C.P. 31, CEP: 15385-000 - Ilha Solteira, SP.
*e-mail: mesa@agr.feis.unesp.br

 

 

RESUMO: Sementes de tomate, sendo dois lotes comerciais do cultivar Petomech e dois lotes do cultivar Santa Clara, foram estudados com o objetivo de se avaliar as variações nos resultados de teste de condutividade elétrica, em função do período de embebição (6, 12, 18 e 24 horas) e do número de sementes utilizadas no teste (25, 50 e 100), procurando-se relacionar os resultados com a emergência das plântulas e o desempenho das sementes em outros testes, em tres épocas de avaliação. Os resultados obtidos mostraram comportamento diferenciado dos cultivares, com valores mais altos de condutividade elétrica para as sementes do cultivar Petomech. Observaram-se também diferenças acentuadas entre os dois lotes do cultivar Petomech em termos de condutividade. Os acréscimos dos valores de condutividade com o decorrer da embebição corresponderam a queda no vigor das sementes independentemente do cultivar.
Palavras-chave: sementes, tomate, condutividade elétrica, tempo de embebição

 

ELECTRICAL CONDUCTIVITY OF TOMATO SEEDS (Lycopersicon lycopersicum L.)

ABSTRACT: Four comercial lots of tomato (Lycopersicon lycopersicum L.) seeds cv. "Petomech" and cv. "Santa Clara" were evaluated for variations in electrical conductivity according to imbibition periods (6, 12, 18 and 24 hours) and seed number (25, 50 and 100) with results related to seedling emergence, in three periods. Standard germination, first count, germination speed index, and seedling emergence were evaluated. The results showed that electrical conductivity was influenced by cultivar. `Petomech' seeds showed high electrical conductivity values in relation to those verified for `Santa Clara'. Large differences in electrical conductivity values between lots of cultivar 'Petomech' were not related to seed performance. No significant change was detected in the electrical conductivity concerning the number of seeds studied.
Key words: tomato seeds, eletrical conductivity, number of seeds, imbibition period

 

 

INTRODUÇÃO

A cultura do tomate tem uma importância muito grande na região noroeste do Estado de São Paulo. Como toda atividade, ela necessita ser lucrativa, e isto somente é possível quando se conjugam altos rendimentos com menores custos de implantação da cultura. Para a obtenção de rendimentos adequados é necessário que as técnicas utilizadas sejam ajustadas a sistemas de produção onde os níveis tecnológicos sejam elevados, se iniciando com a utilização das sementes, que é um requisito básico para a condução de lavouras produtivas. Sementes de alta qualidade proporcionam uma lotação adequada de plantas no campo, um desenvolvimento adequado e uniforme das plantas, permitindo a expressão do potencial genético do cultivar. Em vista disto, as Empresas produtoras de sementes, têm-se esmerado em busca de técnicas, para produção, manutenção e controle da qualidade. Como muitas vezes as tomadas de decisões devem ser imediatas, a busca de testes que forneçam resultados mais rápidos e confiáveis tem sido incessante. Aliado a este fato, tem-se ainda que os resultados do teste de germinação não refletem a emergência das sementes a campo (Johnson & Wax, 1987, Yaklich & Kulik, 1979). Assim, os testes de vigor tem se mostrado como um ponto de apoio para pesquisadores e para a indústria de sementes, pois os mesmos proporcionaram informações do comportamento das sementes, refletindo as manifestações da deterioração. Conforme Abdul-Baki & Anderson (1973), os testes de vigor que demandam período de tempo curto são aqueles relacionados às atividades enzimáticas e respiratórias e com a integridade das membranas celulares. Com base na integridade das membranas destacam-se os testes de condutividade elétrica pelos sistemas de massa e individual (Vieira, 1994) que fornecem resultados em 24 horas, sendo empregados principalmente para sementes de grandes culturas, havendo portanto poucas pesquisas com sementes de espécies olerícolas, florestais exóticas e essências nativas e forrageiras. No teste de condutividade "da massa", a qualidade das sementes é avaliada através da sua imersão em água e determinação da condutividade da solução de embebição, que indicará o nível de qualidade do lote avaliado. Assim, baixos valores de condutividade (baixa lixiviação) indicam que as sementes apresentam alta qualidade, enquanto valores elevados estão relacionados a sementes de qualidade inferior (Woodstock, 1973). Estes resultados tem sido corroborados por várias pesquisas que têm demonstrado que a diminuição da germinação e do vigor é diretamente proporcional à elevação da concentração de eletrólitos liberados pelas sementes durante a embebição (Mcdonald & Wilson, 1979; Powell, 1986; Marcos filho et al., 1990). Dentre as alternativas de utilização de testes de vigor, o teste de condutividade elétrica é um dos que apresentam boas condições de ser utilizado em um programa de controle de qualidade de sementes, porém, há necessidade de elucidar os efeitos de alguns fatores que afetam seus resultados, de forma a se fazer uma recomendação adequada para sua utilização segura. Trata-se, de um teste de vigor bastante promissor para padronização, por preencher alguns requisitos básicos relacionados por Matthews & Powell (1981), dentre os quais destacam-se: fundamentar-se em base teórica consistente, proporcionar resultados reproduzíveis e, correlacionados à emergência em campo, além de envolver procedimento simples, de baixo custo e fornecer resultados com rapidez. De acordo com Abdul-Baki (1980), durante a embebição; os sistema de membranas das sementes se reorganizam, readquirindo sua permeabilidade; e o ideal é que este processo ocorra no menor período possível, para reduzir a ocorrência de misturas indesejáveis do conteúdo celular e a lixiviação comprometedora de eletrólitos. Portanto, é essa velocidade de reorganização do sistema de membranas que reflete o vigor da semente. Woodstock (1973) considerou que a exsudação de constituintes celulares mostrou-se inversamente associada ao vigor, com base em três fatores: reflete a perda de integridade das membranas, representa a consequente perda de compartimentalização dos constituintes celulares, e constitui excelente substrato para o desenvolvimento para de microrganismos, acelerando o processo de deterioração. Desse modo, a perda da integridade do sistema de membrana celulares, causada principalmente pela oxidação de lipídios, promove o descontrole do metabolismo e das trocas de água e de solutos entre as células e o meio exterior, com reflexos diretos sobre a qualidade fisiológica das sementes. Com relação à natureza dos constituintes, as observações são que, por ocasião da embebição, as sementes liberam grande variedade de substâncias, tais como íons inorgânicos, açúcares, aminoácidos, enzimas, nucleosídeos e ácidos graxos (Matthews & Bradnock, 1967; Abdul-Baki & Anderson, 1972 e Woodstock, 1988). A quantidade e intensidade de material lixiviado estão diretamente relacionadas à permeabilidade das membranas e, consequentemente, são influenciadas pela idade das sementes, pela sua condição fisiológica e, também, pela incidência de danificações (Powell, 1986). Estudos conduzidos pelo Comitê de vigor da ISTA constataram variações nos resultados entre laboratórios de análise de sementes, devido a problemas de metodologia (Perry, 1981). Resultados de pesquisas tem demonstrado que vários fatores podem afetar os resultados do teste, tais como: qualidade da água, temperatura e duração do período de embebição, grau de umidade e número de sementes testadas (Bradnock & Matthews, 1970; Yaklich & Abdul-Baki, 1975 e Tao, 1978). Bedford (1974) ressaltou a importância do genótipo, Loeffler et al. (1988) evidenciaram a importância do teor inicial de água nas sementes, danificações mecânicas e número de sementes. Conforme Novembre et al (1995) em estudo visando adequar metodologia para os testes de condutividade elétrica em sementes de tomate, avaliando cultivares e quantidade de água de embebição, os resultados não se mostraram consistentes. A avaliação do vigor em sementes de hortaliças, é pois necessária tendo-se em vista a importância destas plantas no cenário agrícola do país, contribuindo assim para o controle de qualidade de sementes nesta área. O objetivo do presente trabalho foi o de estudar os efeitos do período de embebição e do tamanho da amostra sobre os valores de condutividade elétrica da solução de embebição, em sementes de tomate, procurando relacioná-los com a emergência das plântulas e outros testes de vigor.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Laboratório de Análise de Sementes do Departamento de Fitotecnia, Economia e Sociologia Rural, da Faculdade de Engenharia da UNESP - Câmpus de Ilha Solteira. Foram conduzidos testes de germinação, de vigor e de emergência das plântulas em substrato artificial com a finalidade de se comparar as informações fornecidas pelo teste de condutividade elétrica. Utilizaram-se dois lotes comerciais do cultivar `Petomech', produzidos pela Cia Industrial e Mercantil Paoletti, safra 1993 e safra 1994 com validades para 1997 e 1998 respectivamente, pertencentes à classe de sementes fiscalizadas e dois lotes comerciais do cultivar Santa Clara, produzidos pela TANEBRAS Sementes Melhoradas Ltda, ambos com validade até 1997. Os testes foram realizados em três épocas: outubro a dezembro de 1995, janeiro a março de 1996 e abril a junho de 1996. Os testes seguiram os seguintes procedimentos: a) teste de germinação: foi realizado utilizando-se de quatro repetições de 50 sementes para cada cultivar e lote utilizado. As sementes foram distribuídas sobre papel (SP) e colocadas para germinar em aparelho regulado para manter a temperatura constante de 20oC. Para controle do umidecimento do substrato foi utilizada uma quantidade de solução de KNO3 a 0,2% equivalente a 2,5 vezes o peso do substrato seco. A condução dos testes seguiu as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992). Foram computadas as porcentagens de plântulas normais para cada repetição, obtendo-se os valores médios por lote, sendo que as contagens foram efetuadas no 5o e 14o dia após a instalação dos testes; b) Primeira contagem de germinação: foi realizado em conjunto com o teste de germinação, computando-se as porcentagens de plântulas normais verificadas na data recomendada pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992) para realização da 1ª contagem, em técnica semelhante à descrita por Marcos Filho et al (1987). Os valores obtidos foram utilizados para análises estatísticas; c) Velocidade de germinação: também foi realizada em conjunto com o teste de germinação computando-se as plântulas normais durante o período de avaliação do teste padrão de germinação. Com dados obtidos, o índice de velocidade para cada sub-amostra foi calculado segundo a expressão proposta por Maguire (1962), onde: 56n1a3e1.gif (432 bytes) tendo-se: VG = velocidade de germinação N1, N2, ..., Nn = número de plântulas germinadas a 1, 2 e n dias após a semeadura, respectivamente. D1, D2, ..., Dn = número de dias após a implantação do teste. d) Teste de emergência das plântulas: foi realizado em bandejas de isopor, utilizando substrato comercial "AGROMIX", recomendado e utilizado por produtores de mudas de olerícolas, frutíferas e ornamentais. Foram semeadas 4 repetições de 50 sementes por cultivar, lote e espécie, colocando-se 1 semente por alvéolo,à profundidade de 0,5cm. Após a semeadura o substrato foi umedecido sempre que necessário, realizando-se contagens diárias até 15 dias após a semeadura. Posteriormente, determinou-se a porcentagem de plântulas emergidas. A utilização das bandejas facilita a semeadura e a avaliação, uma vez que é colocada uma semente por alvéolo, mantendo-se a eqüidistância. e) Peso de 1000 sementes: determinado utilizando-se de 8 subamostras de 100 sementes para cada cultivar. As sementes foram pesadas em balança de precisão 0,001g, conforme as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992); f) Grau de umidade das sementes: foi determinado pelo método da estufa a 105ºC + 3ºC, por 24 horas, com 2 repetições por cultivar e lote, sempre antes da realização de cada teste de condutividade; g) Teste de condutividade elétrica: foi realizado pelo sistema "bulk" segundo metodologia proposta pelo comitê de vigor da Association of Official Seed Analysts (1983), descrita por Marcos Filho et al. (1987). Foram tomadas 4 repetições de 25, de 50 ou 100 sementes, as quais foram pesadas em balança de precisão 0,0001g e colocadas em copos plásticos contendo 75ml de água destilada e deionizada. Os copos foram mantidos em germinador a 25ºC e então realizaram-se leituras após 6, 12, 18 e 24 horas de embebição, em condutivímetro DIGIMED mod. DM-31. Os valores médios obtidos para cada material foram expressos em ms/cm/g de sementes. Com relação ao grau de umidade das sementes, os testes foram realizados com a umidade que as sementes apresentavam por ocasião da realização dos testes, não se realizando um pré-umedecimento. Este procedimento foi adotado ao considerar que as sementes de hortaliças são conservadas com baixo grau de umidade, em embalagens herméticas (latas). Por ocasião da realização dos testes as subamostras de sementes eram retiradas das embalagens, e o restante permanecia armazenado em câmara seca (condições de 20ºC e 40% de umidade relativa).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, sendo que os tratamentos constaram da combinação de lotes (4), tamanho da amostra (3) e período de embebição (4), totalizando 48 tratamentos para avaliação da condutividade elétrica. Utilizou-se do Programa SANEST, para realização das análises de variância (Zonta et al, 1984).

Os coeficientes de correlação simples r para as combinações entre condutividade elétrica, nas três épocas de avaliação e a significância dos valores de r determinada pelo teste t, a nível de 5% de probabilidade, foram calculados conforme Gomes (1990).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observando-se os resultados apresentados na TABELA 1, verifica-se que as sementes nas três épocas de avaliação, apresentaram valores de germinação superiores a 80%, sendo que este é especificado como padrão mínimo para sementes fiscalizadas e certificadas de tomate. No entanto observa-se que o lote B (safra 94) do cultivar `Petomech' apresentou um desempenho inferior aos demais, sendo que para germinação observaram-se diferenças significativas em duas das três épocas de avaliação com relação ao lote A do cultivar Santa Clara. Já quando se analisa a primeira contagem de germinação observa-se que o lote B do cultivar Petomech apresentou desempenho significativamente inferior ao apresentado pelos demais lotes, indicando um melhor vigor deste lote através deste teste. Já com relação ao índice velocidade da germinação, em apenas uma das épocas de avaliação se observaram diferenças significativas entre os lotes, com o lote B do cultivar Petomech apresentando desempenho significativamente inferior, sendo que nas outras duas épocas este lote também apresentou menores valores, porém as diferenças não se mostraram significativas. Com relação à emergência em substrato artificial, o lote B do cultivar Petomech apresentou desempenho significativamente inferior ao lote A do cultivar Santa Clara, sendo também inferior aos demais porém as diferenças não se apresentaram significativas. Ressalta-se que mesmo com as diferenças apresentadas entre os lotes não se apresentando constantes, para a primeira contagem e emergência em substrato os testes indicaram que o lote B do cultivar Petomech se apresentou com menor nível de vigor que os demais, com diferenças significativas quando comparado ao lote A do cultivar Santa Clara. Ressalta-se que os resultados de emergência em substrato artificial, se mostraram inferiores aos verificados no teste de germinação, sendo que esta diferença se tornou mais acentuada ao serem observados os resultados do lote B do cultivar `Petomech'. Estas observações concordam com outras da literatura, dentre elas, os trabalhos de Johnhon & Wax, (1987), Yaklich & Kulik (1979), que constataram desempenho inferior de sementes em emergência em relação aos resultados de germinação.

 

56n1a3t1.gif (21449 bytes)

 

Na TABELA 2 podem ser observados os valores obtidos para condutividade elétrica dos lotes de cada cultivar das sementes de tomate, nas três épocas de avaliação. Observa-se que as sementes do cultivar. `Petomech' apresentaram valores muito elevados de condutividade elétrica em relação às sementes do cultivar `Santa Clara'. Além disso as sementes dos dois lotes do cultivar Petomech também mostraram diferença elevada nos resultados, sendo detectada diferença estatística significativa entre ambos. Estas diferenças entre os dois lotes do cultivar Petomech se refletiram principalmente na primeira contagem de germinação onde se verificaram diferenças significativas entre os dois lotes, concordando plenamente com os resultados da literatura onde sementes com maiores valores de condutividade elétrica, dentro das mesmas variáveis, apresentam menor vigor (Woodstock, 1973; Marcos Filho et al., 1987; Vieira, 1994). Já quando se observa o comportamento das sementes do cultivar Santa Clara, observa-se que os mesmos apresentaram valores significativamente semelhantes em termos de condutividade elétrica, e que esta semelhança também ocorreu com relação à germinação, primeira contagem , índice velocidade de germinação e emergência em substrato artificial.

 

56n1a3t2.gif (11715 bytes)

 

Com relação ao efeito do genótipo, muito embora o trabalho tenha sido conduzido com apenas dois cultivares, este efeito fica evidenciado quando se compara os resultados do lote A do cultivar Petomech com os resultados dos dois lotes do cultivar Santa Clara, onde se observaram resultados estaticamente semelhantes de germinação, primeira contagem, índice velocidade de germinação e emergência em substrato artificial (TABELA 1), porém resultados distintos de condutividade elétrica (TABELA 2). Estas observações concordam com a literatura onde diferenças na condutividade entre genótipos de uma mesma espécie foram observadas em ervilha (Bedford, 1974), em milho (Tao, 1980; Bruggink et al. 1991), em soja Panobianco & Vieira (1996), entre outros.

Na TABELA 3 podem ser observados os valores verificados para condutividade elétrica das sementes dos dois cultivares e dois lotes em função do número de sementes. Observa-se que não se verificam diferenças significativas entre os valores de condutividade em função do número de sementes utilizadas na condução dos testes. Estes fatos são importantes pois a utilização de um menor número de sementes proporciona uma economia de tempo e de material, além de que as observações de Loeffler et al. (1988) mostraram que o uso de 50 sementes em relação a 25 proporcionou redução no coeficiente de variação, o que levou a maior uniformidade dos resultados. Assim, mesmo considerando serem as sementes de tomate tidas como pequenas, não haveria necessidade de se utilizar 100 sementes, e a utilização de 50 ou 25 seria viável tendo-se em vista que os resultados foram semelhantes e existe este aspecto muito favorável, para a iniciação 50 sementes.

 

56n1a3t3.gif (13871 bytes)

 

Na TABELA 4 estão contidos os valores obtidos para condutividade elétrica (ms/cm/g) em função do período de embebição em dois cultivares de sementes de tomate `Petomech' e `Santa Clara'. Observou-se que os valores aumentaram significativamente com o período de embebição para o cultivar `Petomech', enquanto que para as sementes do cultivar `Santa Clara' observou-se aumento com o período porém os valores não foram significativos. Verifica-se que as sementes de tomate apresentaram elevados valores de condutividade já nas primeiras 6 horas, ao redor de 75% do total lixiviado ou acima. Isto significa que pode-se reduzir o tempo de embebição proporcionando assim uma maior rapidez na avaliação, sem que haja prejuízo na confiabilidade dos resultados.

 

56n1a3t4.gif (12617 bytes)

 

Na TABELA 5 os resultados de correlação simples entre condutividade elétrica e os dados de germinação, primeira contagem, índice velocidade de germinação e emergência em substrato artificial, evidenciam correlação negativa entre condutividade e o teste de germinação e os de vigor utilizados. Este fato indica que aumentos nos valores de condutividade elétrica corresponderam a queda nos níveis de germinação e de vigor das sementes, fato este que concorda com observações da literatura onde os aumentos nos dados de condutividade elétrica correspondem a maior lixiviação de solutos e portanto a diminuição na qualidade fisiológica das sementes (Woodstock, 1973; Mcdonald & Wilson, 1979; Powell (1986); Marcos Filho et al., 1990).

 

56n1a3t5.gif (10597 bytes)

 

CONCLUSÃO

Após a análise e interpretação dos resultados pode se concluir que: há diferenças em quantidade de lixiviados entre os genótipos de tomate avaliados através da condutividade elétrica; existe possibilidade de redução do tempo de embebição de 24 para 6 horas; e o tamanho da amostra dentro dos números estudados não afeta os valores de condutividade elétrica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABDUL-BAKI, A.A.; ANDERSON, J.D. Phisiological and biochemical deterioration of seeds. In: KOZLOWSKI, T.T. (Ed.) Seed Biology. New York: Academic Press,1972. v.2, p.283-315.         [ Links ]

ABDUL-BAKI, A.A.; ANDERSON, J.D. Vigor determination in soybean seed by multiple criteria. Crop Science, v.13, n.6, p.630-633, 1973.         [ Links ]

ABDUL-BAKI, A.A. Biochemical aspects of seed vigor. Horticultural Science, v.5, n.6, p.765-1980.         [ Links ]

ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSTS. Seed vigour testing handbook. East Lasing: AOSA, 1983. 88p. (Handbook on Seed Testing Contribution, 32).         [ Links ]

BEDFORD, L.V. Conductivity tests in commercial and hand harvested seed of pea cultivars and their relation to field establishment. Seed Science and Technology, v.2, p.323-335, 1974.         [ Links ]

BRADNOCK, W.T.; MATTHEWS, S. Assessing field emergence potential of wrinkle-seeded peas. Horticultural Research, v.10, p.50-58, 1970.         [ Links ]

BRUGGINK, H.; KRAAK, H.L.; DIJEMA, M.H.G.E.; BEKENDAM, J. Some factors influencing eletrolyte leakage from maize (Zea mays L.) kernels. Seed Science Research, v.1, p.15-20, 1991.         [ Links ]

BRASIL. Ministério da Agricultura. Regras para análise de sementes. Brasília: SNAD/DNPV/CLAV, 1992. 365p.         [ Links ]

GOMES, F.P. Curso de estatística experimental. 13.ed. São Paulo: Nobel, 1990. 467p.         [ Links ]

JOHNSON, R.R.; WAX, L. M. Relationaship of soybean germinatiion and vigor tests to field performance. Agronomy Journal, v.70, n.2, p.273-278, 1978.         [ Links ]

LOEFFLER, T.M.; TEKRONY, D.M.; EGLY, D.B. The bulk conductivity test as an indicator of soybean seed quality. Journal of Seed Technology, v.12, n.1, p.37-53,1988.         [ Links ]

MAGUIRE, J.D. Apeed of germination-aid in selection and evalution for seedling emergence and vigor. Crop Science, v.2, n.2, p.176-177, 1962.         [ Links ]

MARCOS FILHO, J.; CÍCERO, S.M.; SILVA, W.R. Avaliação da qualidade das sementes. Piracicaba: FEALQ, 1987. 230p.         [ Links ]

MARCOS FILHO, J.; SILVA, W.R.; NOVEMBRE, A.D.C.; CHAMMA, H.M.C.P. Estudo comparativo de métodos para avaliação da qualidade fisiológica de sementes de soja, com ênfase ao teste de condutividade elétrica. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.25, n.12, p.1805-1815, 1990.         [ Links ]

MATTHEWS, S.; BRADNOCK, W.T. The detection of seed samples of wrinkle-seeded peas (Pisum sativum L.) of potentially low planting value. Proceedings of the International Seed Testing Association, n.32, p.553-563, 1967.         [ Links ]

MATTHEWS, S.; POWELL, A.A. Electrical conductivity test. In: PERRY, D.A. (Ed.) Handbook of vigor test methods. Zurich: ISTA, 1981. p.37-42.         [ Links ]

McDONALD , M.B.; WILSON, D.O. An assessment of the standardization and abiliity of the ASA - 610 to rapidly predict potential e soybean germination. Journal of Seed Technology, v.4, n.1, p.1-11, 1979.         [ Links ]

NOVEMBRE, A.D.L.C.; DIAS, D.C.F.S.; CHAMMA, H.M.C.P.; MARCOS FILHO, J. Estudo da metodologia dos testes de envelhecimento acelerado e de condutividade elétrica para sementes de tomate. Informativo ABRATES, v.5, n.2, p.140, 1995.         [ Links ]

PANOBIANCO, M.; VIEIRA, R.D. Electrical conductivity of soybean soaked seeds: I. effect of genotype. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.31, n.9, p.621-627, 1996.         [ Links ]

PERRY, D.A. Report on vigour test comittee 1977-80. Seed Science and Technology, v.9, n.1, p.115-126, 1981.         [ Links ]

POWELL, A.A. Cell membranes and seed leachate conductivity in relation to the quality of seed sowing. Journal of Seed Technolology, v.10, n.2, p.81-100, 1986.         [ Links ]

TAO, K.L.J. Factors causing variations in the conductivity test for soybean seeds. Journal of Seed Technology, v.3, n.1, p.10-18, 1978.         [ Links ]

VIEIRA, R.D. Teste de condutividade elétrica. In: Vieira, R.D.; CARVALHO, N.M. (Ed.) Testes de vigor em sementes. Jaboticabal: FUNEP/UNESP, 1994. p.103-132.         [ Links ]

WOODSTOCK, L.M. Physiological and biochemical of seed vigor. Seed Science and Technolology, v.1, n.1, p.127-157, 1973.         [ Links ]

WOODSTOCK, L.W. Seed imbibition: a critical period for successful germination. Journal of Seed Technology, v.12, n.1, p.1-15, 1988.         [ Links ]

YAKLICH, R.W.; ABDUL-BAKI, A.A. Variability in metabolism of individual axes of soybean and its relationship to vigor. Crop Science, v.15, n.3, p.424-426, 1975.         [ Links ]

YAKLICH, R.W.; KULIK, M.M. Evaluation of vigor tests in soybean seeds: relationship of standard germination test, vigor classification, seedling lenght and tetrazolium staining, to field performance. Crop Science, v.19, n.1, p.247-252, 1979.         [ Links ]

ZONTA, E.P.; MACHADO, A.D.; SILVEIRA JÚNIOR, P. Sistema de análise estatística para microcomputadores: SANEST. Pelotas: UFPel, 1984. (registro SEI nº 06606-0 Categoria AO).         [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 20.02.97
Aceito para publicação em 07.07.98

 

 

1Trabalho desenvolvido com auxílio da FAPESP.