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Revista Brasileira de Zootecnia - Lysine in rations for barrows selected for lean carcass deposition from 95 to 110 kg

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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.32 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982003000200012 

Lisina em rações para suínos machos castrados selecionados para deposição de carne magra na carcaça dos 95 aos 110 kg1

 

Lysine in rations for barrows selected for lean carcass deposition from 95 to 110 kg

 

 

Alexandre Luiz Siqueira de OliveiraI; Juarez Lopes DonzeleII; Rita Flávia Miranda de OliveiraII; Darci Clementino LopesII; Antonio Marcos Souto MoitaIII; Francisco Carlos de Oliveira SilvaIV; Letícia Silva de FreitasV

IEstudante de Doutorado do DZO/UFV. Bolsista do CNPq. E.mail: alextab@hotmail.com
IIProfessores do DZO/UFV. E.mail: donzele@ufv.br; flavia@ufv.br; dclopes@ufv.br
IIIPesquisador da Agroceres
IVPesquisador da EPAMIG/CTZM. E.mail: fcosilva@epamig.ufv.br
VBolsista de Iniciação Científica/FAPEMIG — DZO/UFV

 

 


RESUMO

Foram utilizados 60 suínos machos castrados, provenientes de cruzamento entre híbridos comerciais, com peso inicial médio de 95,7 ± 0,8 kg e final de 109,8 ± 1,1 kg para avaliar diferentes níveis de lisina sobre o desempenho e as características de carcaça. Foi usado o delineamento de blocos ao acaso, com cinco tratamentos, seis repetições e dois animais por repetição. Os tratamentos corresponderam a uma ração basal com 13,7% de proteína bruta, 3367 kcal de ED/kg e suplementada com cinco níveis de L-lisina-HCl, resultando em rações com 0,50; 0,60; 0,70; 0,80 e 0,90% de lisina total. O consumo de ração diário reduziu de forma linear. Entretanto, ficou caracterizada maior ingestão de lisina com o aumento da concentração dietética do aminoácido. Verificou-se efeito quadrático do nível de lisina sobre a conversão alimentar, que melhorou até o nível de 0,76% de lisina, e sobre a conversão alimentar em músculo, que reduziu de forma linear. No entanto, os dados ajustados pelo modelo "Linear Response Plateau" indicaram o nível de 0,79% para a melhor conversão alimentar em músculo. O ganho de peso, comprimento de carcaça, espessura de toucinho, rendimento de pernil, rendimento de carne magra e a área de olho de lombo não foram influenciados pelos tratamentos. Para o genótipo estudado, o nível de 0,76% de lisina total na ração foi o indicado para machos castrados, dos 95 aos 110 kg, correspondendo à ingestão diária estimada de 23,8 g de lisina.

Palavras-chave: carcaça, exigência, terminação, genótipo, conversão alimentar em músculo


ABSTRACT

Sixty barrows from crossing between commercial hybrids with an average initial weight of 95.7 ± 0.80 kg and an average final weight of 109.8 ± 1.13 kg were used to evaluate different dietary lysine levels on performance and on carcass characteristics. The experimental design used was a randomized blocks with five treatments, six replicates and two animals per replicate. The treatments corresponded to a basal diet with 13.7% of crude protein, 3367 kcal DE/kg supplemented with five L-lysine-HCl levels, resulting in diets with 0.50; 0.60; 0.70; 0.80 and 0.90% of total lysine. The daily feed intake reduced by linear way with the increase of lysine level in diet. However, it was showed highest lysine consumption with increase of dietary aminoacid concentration. It was verified quadratic effect of treatments on the feed:gain ratio which improved until the level of 0.76% of lysine level and on feed:lean gain that reduced by linear way. However the adjusted data by Linear Response Plateau indicated the level of 0.79% to the best feed:lean gain. The weight gain, carcass lenght, backfat thickness, ham yield, lean growth yield and loin eye area were not influenced by treatments. For the genotype studied, it was concluded that barrows from 95 to 110 kg require 0.76% of total lysine in diet, corresponding to a daily lysine intake of 23.8 g.

Keywords: carcass, requirement, finishing, genotype, feed:lean gain


 

 

Introdução

Existe, por parte do mercado consumidor, uma tendência em diminuir o consumo de gordura de origem animal. Para satisfazer estas exigências, pesquisas na área de melhoramento genético de suínos vêm sendo desenvolvidas no sentido de diminuir a deposição de gordura, obtendo assim maior eficiência de ganho em carne e maior porcentagem de carne magra na carcaça dos animais.

Isso possibilitou elevar o peso de abate dos animais com pouco comprometimento na qualidade da carcaça. No entanto, à medida que se aumenta o peso de abate dos animais, reduz-se a eficiência no ganho protéico, em função da queda na taxa de deposição diária de proteína na carcaça.

Nesse sentido, a adoção desta prática permite algumas vantagens ao produtor, dentre as quais pode-se destacar: redução nos custos por unidade de peso produzido, sem a necessidade do aumento no número de matrizes; aumento no rendimento de carcaça; e redução das perdas por resfriamento e processamento.

A indústria opta pelo abate de animais com maior peso, devido ao fato de que torna-se mais econômico processar carcaças mais pesadas, uma vez que os custos fixos, por unidade de peso, são diluídos em cima de uma maior quantidade de produto.

Uma vez que as exigências nutricionais dos suínos variam de acordo com a fase do crescimento, devido a alterações na composição do ganho, as necessidades nutricionais devem ser bem especificadas segundo o intervalo de peso, visando-se o máximo rendimento de carne na carcaça.

Desta forma, torna-se imprescindível a avaliação das necessidades nutricionais de aminoácidos para suínos, especialmente a de lisina, devido à sua importância na deposição de tecido muscular.

Objetivou-se neste estudo avaliar o efeito dos níveis de lisina da ração sobre o desempenho produtivo e a qualidade da carcaça de suínos dos 95 aos 110 kg de peso, machos castrados selecionados para deposição de carne magra.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa - MG.

Foram utilizados 60 suínos machos castrados, híbridos comerciais, com peso médio inicial de 95,7 ± 0,80 kg. O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso, com cinco tratamentos (níveis de lisina), seis repetições e dois animais por repetição. Para a distribuição dos animais dentro de cada bloco adotou-se, como critério, o peso inicial e o parentesco dos animais. Os tratamentos aplicados foram: 0,50; 0,60; 0,70; 0,80 e 0,90% de lisina total.

Os animais foram alojados em baias providas de comedouro semi-automático e bebedouro tipo chupeta, localizadas em galpão de alvenaria, com piso de concreto, teto rebaixado e cobertura de telha de barro. A limpeza das baias foi realizada diariamente com raspagem dos dejetos e lavagem com água.

Os animais foram pesados no início e final do período experimental, quando atingiram 109,5 ± 1,13 kg, para determinação do ganho de peso diário. As rações fornecidas e as sobras de ração foram pesadas semanalmente, para posterior determinação do consumo de ração diário, consumo de lisina diário e conversão alimentar.

A temperatura do ar foi registrada diariamente por meio de dois termômetros, de máxima e mínima, colocados no interior do galpão.

As rações experimentais, isoenergéticas e isoprotéicas (Tabela 1), eram à base de milho, farelo de soja e glúten de milho, suplementadas com L-Lisina-HCl 78,4%, resultando em níveis de 0,50; 0,60; 0,70 e 0,80% de lisina total. Para os demais nutrientes foram adotadas as recomendações do NRC (1998). Em todos os níveis de lisina avaliados a relação entre a lisina e os demais aminoácidos essenciais foi, no mínimo, igual à preconizada por Fuller (1996).

A fim de manter as rações isonitrogenadas, a adição de lisina foi feita em substituição proporcional ao ácido glutâmico com base nos seus valores em proteína. As rações e a água foram fornecidas aos animais à vontade.

As análises bromatológicas dos ingredientes foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da UFV, conforme metodologia descrita por Silva (1990).

No final do experimento, após jejum alimentar de 24 horas e de água nas últimas 12 horas, seis animais de cada tratamento foram abatidos. O abate ocorreu por dessensibilização mecânica e sangramento sendo, em seguida, as carcaças inteiras depiladas com auxílio de lança-chamas, evisceradas e pesadas em balança eletrônica. As carcaças foram serradas ao longo da coluna vertebral e as meia carcaças pesadas separadamente. Em seguida, na meia-carcaça direita, foram feitas medidas lineares de carcaça e, após permanecerem 24 horas em câmara fria à temperatura de 4 a 8oC, estas foram espostejadas.

Na avaliação de carcaças, foram consideradas as seguintes medidas: comprimento, realizado pelo método brasileiro de classificação de carcaça (CCMB) (Associação..., 1973) e pelo método americano, da primeira costela à sínfise pubiana, segundo Boggs & Merkell (1979); espessura de toucinho entre a última e a penúltima vértebra lombar (ETUL), espessura de toucinho a 6,5 cm da linha dorso-lombar (ETP2) e área de olho de lombo (AOL) (ABCS, 1973); rendimento de carcaça (expresso em porcentagem como peso da carcaça quente em relação ao peso de abate após jejum), rendimento de gordura (expresso em porcentagem como peso da gordura total, dissecada da carcaça, em relação ao peso da carcaça resfriada); e rendimento de pernil (expresso em porcentagem como peso total do pernil em relação ao peso da meia- carcaça resfriada).

Para avaliação da conversão alimentar em músculo (CAM), foram utilizados os dados médios de: peso vivo em jejum (PvJ) dos animais, peso da carcaça quente (PCQ), peso da meia-carcaça esquerda (PCE), peso da meia carcaça esquerda fria (PCEF), porcentagem de carne (PC), rendimento de carcaça (RC) e rendimento de frigorificação (RF).

As determinações do RC, RF e CAM foram realizadas de acordo com Fowler et al. (1976), em que:

RC = PCQ / PvJ x 100

RF = PCEF / PCE x 100

CAM = CA / (RC x RF X PC) x 10-6

As variáveis de desempenho foram analisadas pelo Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (SAEG), desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa (2000), utilizando-se os procedimentos para análises de variância e regressão.

 

Resultados e Discussão

As temperaturas, mínimas e máximas, registradas durante o período experimental foram, respectivamente, 17,1 ± 4,94 e 24,1 ± 4,01oC.

Os resultados de desempenho, consumo estimado de lisina diário e conversão alimentar em conversão dos suínos machos castrados, dos 95 aos 110 kg, encontram-se na Tabela 2.

Não se observou efeito (P>0,10) dos níveis de lisina sobre o ganho de peso diário (GPD) dos animais. Resultado similar foi verificado por Johnston et al. (1993) e Witte et al. (2000) em suínos dos 59 aos 120 kg e dos 90 aos 126 kg, respectivamente, não observando variação do ganho de peso com o aumento no nível de lisina da ração. Contudo, Hahn et al. (1995) constataram variação no GPD dos animais entre 90 e 110 kg, em resposta aos níveis crescentes de lisina na ração, definindo a concentração de 0,59% para o maior ganho de peso.

Embora a variação do GPD não tenha sido significativa (P>0,10), houve aumento gradativo que chegou a 10,56%, entre os níveis de 0,5 a 0,7% de lisina. O alto coeficiente de variação (12,4%), observado para esta variável, foi determinante na ausência de diferença estatística.

Este relato encontra sustentação nos resultados de Cline et al. (2000), em que a variação máxima de 7,9% ocorrida no GPD dos animais, entre os tratamentos, foi significativa em nível de 1%, embora o coeficiente de variação (CV) tenha correspondido a 5,04%; e nos resultados de Johnston et al. (1993) em que a variação máxima de até 28,0% no GPD, com o CV correspondendo a 17,27%, não foi significativa.

O nível de lisina influenciou (P<0,03) o consumo de ração diário (CRD), que reduziu de forma linear segundo a equação:= 3850,44 - 929,743 X (r2 = 0,95). Este resultado ratifica aqueles obtidos por Chen et al. (1999) e King et al. (2000), quando relataram redução no CRD, devido ao aumento do nível de lisina na ração para suínos na fase de terminação, até os 120 kg e coerente também com o resultado de Gonçalves et al. (1999), que constataram maior CRD para suínos, na fase de terminação, que receberam a ração com o menor nível calculado de lisina.

Estudando efeitos dos níveis de lisina sobre o desempenho de suínos em terminação, Johnston et al. (1993) constataram redução linear no CRD dos animais entre 59 e 127 kg e nenhuma variação significativa no consumo de ração dos animais entre 105 e 127 kg.

Por outro lado, diversos autores como Hahn et al. (1995), Tuitoek et al. (1997), Gomes (1998), Souza Filho et al. (1999) e Cline et al. (2000) não verificaram variação significativa no consumo de ração dos animais em razão do nível de lisina.

Os resultados divergentes quanto aos efeitos dos níveis de lisina sobre o CRD dos suínos estão relacionados à diferença entre as faixas de peso avaliadas.

O consumo estimado de lisina diário (CLD) aumentou (P<0,01) de forma linear em função do nível de lisina na dieta, de acordo com a equação: = 4,36195 + 25,52X (r2 = 0,99). Aumento no consumo de lisina, em razão da sua inclusão em níveis crescentes na ração, também foi relatado por Johnston et al. (1993) e Cline et al. (2000).

Foi constatado efeito (P<0,10) dos níveis de lisina sobre a conversão alimentar (CA), que melhorou até o nível de 0,76% (Figura 1), correspondente a um consumo de lisina estimado de 23,7 g/dia e de 2,26 g de lisina/1000 kcal de ED. Resultado similar ao deste estudo foi observado por Hahn et al. (1995), que verificaram variação nos dados de CA de suínos machos castrados, dos 90 aos 110 kg, em razão do aumento no nível de lisina, com melhor resposta no nível correspondente a um consumo diário de 23,2 g de lisina.

 

 

Diversos autores (Cromwell et al., 1993; Friesen et al., 1995; Dourmad et al., 1997; Souza, 1997; Loughmiller et al., 1998; King et al., 2000; Witte et al., 2000) encontraram efeito positivo dos níveis de lisina sobre a eficiência de utilização do alimento para ganho de peso em suínos na fase de terminação com peso final acima de 100 kg.

A melhora da CA, até o nível de 0,76% de lisina, estaria indicando possível modificação na composição do ganho, com aumento na deposição de proteína e redução na deposição de gordura. Esta alteração de ganho, embora possa resultar em menor eficiência energética de ganho (Chen et al., 1999), melhora a eficiência de utilização do alimento por unidade de ganho de peso (Hahn et al., 1995) em razão de o tecido protéico agregar maior quantidade de água, contrariamente ao tecido adiposo.

A melhora na eficiência de utilização do alimento para ganho, entre os níveis de 0,50 a 0,76 % de lisina, correspondeu à diminuição de 46,44 g de ração/kg de ganho de peso por cada grama de aumento no consumo de lisina.

A conversão alimentar em músculo (CAM) melhorou (P<0,01) de forma linear com o aumento dos níveis de lisina na ração. No entanto, com o ajuste dos dados pelo modelo LRP estimou-se o nível de 0,79% de lisina como ótimo (Figura 2). Este resultado corrobora o relato de Stahley (1993) em que, quantitativamente, fatores do meio, como a ração, possuem impacto na eficiência de crescimento muscular.

 

O melhor valor da CAM, de 6,72, encontrado neste trabalho, ficou abaixo dos valores de 7,26 e 7,12 observados por Campabadal & Navarro (1997) e Gonçalves et al. (1999) em trabalhos conduzidos com suínos machos castrados, dos 22 aos 109 kg e dos 30 aos 130 kg, respectivamente. A diferença nos valores da CAM, verificada entre os trabalhos, pode ser explicada, em parte, pela possível diferença na genética dos animais utilizados, uma vez que, de acordo com Chen et al. (1995), suínos com maior capacidade de deposição de carne utilizam o alimento de maneira mais eficiente, produzindo carcaças com mais carne e menos gordura, quando comparados a animais de baixo potencial para deposição de carne.

Com base nos resultados de CA, CAM e estimativa da ingestão diária de lisina, presume-se que o nível de lisina de 0,60%, correspondente ao consumo de lisina de 17,5 g/dia, preconizados pelo NRC (1998) para suínos de 80 a 120 kg, esteja abaixo do nível ótimo determinado neste estudo.

Os dados das características de carcaça, rendimento de carcaça (RC), rendimento de carne magra (RCM), rendimento de pernil (RP) e rendimento de gordura (RG) de suínos machos castrados, dos 95 aos 110 kg, em razão dos níveis de lisina da ração, encontram-se na Tabela 3.

Não se constatou efeito (P>0,10) dos níveis de lisina sobre nenhuma das características de carcaça e rendimento de cortes avaliados. Resultados similares foram obtidos por Friesen et al. (1995) e Hahn et al. (1995), que não observaram efeito de níveis de lisina sobre a área de olho de lombo (AOL) e espessura de toucinho na décima vértebra lombar (ET 10a) de leitoas abatidas aos 104 kg e de machos castrados abatidos aos 108 kg, respectivamente.

O mesmo foi observado por Grandhi & Cliplef (1997) e Souza Filho et al. (1999), que não constataram efeito do nível de lisina sobre a AOL, sobre a espessura de toucinho no P2 (ETP2) e o rendimento de carne magra (RCM), em suínos com alto potencial genético para deposição de carne magra, abatidos aos 130 e 105 kg, respectivamente.

Apesar da coerência entre os dados de carcaça nos trabalhos, o valor médio de 40 cm2 de AOL, encontrado neste estudo foi superior aos valores médios de 37,2, 38,6 e 31,3 cm2, respectivamente observados por Friesen et al. (1995), Hahn et al. (1995) e Grandhi & Cliplef (1997); e similar ao valor médio de 40,1 cm2 obtido por Gonçalves et al. (1999).

A diferença na capacidade de deposição de carne magra na carcaça dos animais utilizados nos diferentes trabalhos pode ter contribuído para a variação nos resultados de AOL observados. Estudando a composição corporal de suínos, dos 25 aos 152 kg, de cinco diferentes populações genéticas, Wagner et al. (1999) constataram que a AOL variou de 27,68 a 35,91 cm2 para machos castrados abatidos aos 114 kg. Os resultados obtidos de características de carcaça e rendimento de cortes corroboram o relato de Unruh et al. (1996), que, avaliando a influência do genótipo, sexo e níveis de lisina sobre os dados de carcaça de suínos abatidos aos 104 e aos 127 kg, verificaram que o nível de lisina da ração tem mínima influência nas características de carcaça de suínos de diferentes genótipos e sexo.

Apesar de não ter ocorrido variação nos diferentes parâmetros de carcaça avaliados neste estudo, com o aumento dos níveis de lisina na ração, constatou-se que o rendimento de gordura (RG) tendeu a diminuir (P<0,12) de forma linear. A diferença entre os tratamentos chegou a 8,78%, à medida que se elevaram os níveis de lisina na ração.

A redução na quantidade de gordura na carcaça, obtida neste trabalho, pode estar relacionada à diminuição gradativa no consumo de energia entre os tratamentos, que chegou a representar 10,24%, correspondente a uma diferença no consumo de até 1164 kcal/dia de ED. Estudando níveis de lisina para leitoas híbridas, dos 90 aos 126 kg, Witte et al. (2000) constataram variação significativa somente na espessura de toucinho, medida na décima costela (ET10a), sendo que as outras avaliações de espessura de toucinho feitas na 1a costela, última costela e última vértebra lombar não variaram.

Com base nos resultados de ETP2 e RG, pode-se inferir que a espessura de toucinho, medida no P2, não foi uma variável adequada para retratar variação no teor de gordura da carcaça entre os tratamentos estudados.

 

Conclusões

Suínos machos castrados, dos 95 aos 110 kg, exigem 0,76% de lisina, correspondente a um consumo de lisina diário de 23,8 g.

 

Agradecimento

À AGROCERES NUTRIÇÃO ANIMAL, pela cessão dos animais e dos ingredientes das rações experimentais.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 16/05/01
Aceito em: 07/10/02

 

 

1 Parte da Tese de Mestrado do primeiro autor. Projeto apoiado pela AGROCERES.