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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte - Contents of history and science disciplines and their relation to the organization of physical education curriculum in school

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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

Print version ISSN 1807-5509

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.26 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092012000400013 

rbefe

PEDAGÓGICA E COMPORTAMENTAL

 

Os conteúdos escolares das disciplinas de história e ciências e suas relações com a organização curricular da Educação Física na escola

 

Contents of history and science disciplines and their relation to the organization of physical education curriculum in school

 

Contenidos de los cursos de historia y de la ciencia y sus relaciones con la organización del currículo de educación física en la escuela

 

 

Luís Fernando Rocha Rosário; Suraya Cristina Darido

Universidade Estadual de São Paulo - Rio Claro

Endereço

 

 


RESUMO

O propósito desse estudo foi investigaras relações entre os conteúdos das disciplinas de História e Ciências com a Educação Física. Assim, buscou-se apontar princípios para a organização dos conteúdos conforme os ciclos escolares do 6º ao 9º ano, garantindo sua integração com o projeto político pedagógico. Os resultados mostraram que os livros das demais disciplinas auxiliam a sistematização dos conteúdos da Educação Física na escola e que é fundamental o professor participar da elaboração do projeto político pedagógico e dos projetos de ensino, além de conhecer os livros didáticos adotados pela escola. Da mesma forma, é importante que se esclareça aos demais professores o corpo de conhecimentos específicos da Educação Física e qual seu papel nos projetos escolares, possibilitando a reflexão sobre como organizar os conteúdos e sobre como aproveitar as informações deste trabalho.

Unitermos: Livro didático; Princípios de ensino; Currículo.


ABSTRACT

The purpose of this study was to investigate the relations between the contents of History and Science and Physical Education (PE) at school. Therefore, an effort was made to set principles to establish the sequence of contents for the 6t h to 9t h grades, and at the same time assuring the integration of PE to the school's political pedagogical proposal. The results demonstrate that those documents present a set of knowledge that offers possibilities to systematize the PE contents at school and show that the participation of PE teachers and their knowledge about books adopted is essential to build the political pedagogical proposal. Moreover, teachers from other disciplines should be aware of Physical Education specific knowledge and its value to school projects. This approach could lead to reflections on how to organize the contents while taking advantage of this work.

Uniterms: Schoolbook; Principles of teaching; Curriculum.


RESUMEN

El propósito de este estudio fue investigar la relación entre el contenido de las disciplinas de Historia y Ciencias con de la Educación Física. Por lo tanto, hemos tratado de señalar principios para la organización de contenidos como los ciclos escolares a partir del 6 º al 9 º grado, lo que asegura su integración con el proyecto político pedagógico. Los resultados mostraron que los libros de otras disciplinas ayudan a sistematizar los contenidos de la educación física en la escuela y el maestro es crucial que participen en el desarrollo de los proyectos de enseñanza políticos y pedagógicos, además de conocer los libros de texto aprobados por la escuela. Asimismo, es importante aclarar a otros profesores del cuerpo específico de conocimiento de la educación física y su papel en proyectos de la escuela, lo que permite la reflexión sobre la forma de organizar el contenido y la información sobre la manera de hacer este trabajo.

Palabras clave: Libros de texto; Los principios de la enseñanza; Plan de studios.


 

 

Introdução

A Educação Física possui um vasto conteúdo formado pelas diversas manifestações corporais criadas pelo ser humano ao longo dos anos, entre elas, os jogos, as brincadeiras, as danças, os esportes, as ginásticas e as lutas. Este conjunto de práticas tem sido chamado de cultura corporal de movimento, ou cultura corporal, ou cultura de movimento, entre outros. Sendo um conjunto de saberes diversificado e riquíssimo, consideramos extremamente importante seu tratamento nas aulas de Educação Física.

Muitos professores de Educação Física mantêmse ainda influenciados pela concepção esportivista e continuam restringindo as aulas aos esportes mais tradicionais: basquetebol, voleibol, handebol e futebol. Não bastasse este fato, é muito comum que estes conteúdos esportivos sejam transmitidos somente na ótica do saber fazer sem o devido aprofundamento.

Nas outras disciplinas escolares, foi construída ao longo da história uma sequência de conteúdos a serem transmitidos na escola. Essa sequência, em geral, está presente no livro didático e chega até as mãos dos professores de escolas públicas por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) do governo federal. Concordamos com HÖFLING (2000), para quem o Programa Nacional do Livro Didático é uma estratégia necessária de política educacional a fim de suprir um dever do Estado.

Existem diversas categorias de livros, os didáticos são apenas uma delas. MOLINA (1988, p.17) entende como livro didático aquelas obras escritas com finalidades específicas para serem usadas em uma situação didática. O autor destaca também, que todo livro funciona como material didático desde que se criem condições para se ensinar algo a alguém.

Mais do que apresentar uma sequência, o livro didático também auxilia os alunos sendo um material de apoio com textos, gravuras, tabelas, artigos, entrevistas, fotos, músicas, filmes, sites e exercícios. Esse material contido no livro auxilia os alunos na aprendizagem e retenção dos saberes de determinada disciplina.

Quando se considera a produção bibliográfica específica da Educação Física verifica-se que existem pouquíssimos trabalhos que se dedicaram a estudar a sistematização de conteúdos escolares. Além disso, grande parte dos professores de Educação Física não costuma utilizar livros em suas práticas pedagógicas porque entendem a Educação Física exclusivamente na perspectiva do saber fazer, desconsiderando o que ZABALA (1998) denomina de dimensões conceituais e atitudinais dos conteúdos.

Alguns professores de Educação Física têm sistematizado, aprofundado e diversificado os conteúdos conforme suas próprias experiências, erros e acertos. Os primeiros trabalhos começam a surgir procurando nortear os professores para tal prática, entre eles: FREIRE e SCAGLIA (2003); IMPOLCETTO, DI THOMAZZO, BONFÁ, BARROS, SÁ, BROUCO, RODRIGUES, TERRA, IÓRIO, VENÂNCIO, ROSÁRIO, SOUZA JÚNIOR, GASPARI, BATISTUZZI e DARIDO (2007).

ROSÁRIO (2005) procurou investigar como professores elaboram seus trabalhos pedagógicos na escola. As questões que se colocavam eram: como eles organizavam os conteúdos em seus programas? Quais informações eles utilizavam para chegar a esta sistematização? Que dicas eles podiam oferecer sobre a organização de conteúdos na Educação Física?

Os resultados apontaram que os professores sistematizam os conteúdos no decorrer do ano por bimestres, mas não fazem modificações na sequência de ano para ano. A ordem utilizada no 6º ano é a mesma estabelecida até o 9º. A diferença está nas atividades que vão se aproximando cada vez mais do que é verificado nos esportes de alto rendimento, aumentando gradativamente a complexidade técnica e tática. A pesquisa também aponta que parece faltar aos professores mais elementos para refletirem sobre a sistematização dos conteúdos, sobretudo pensando numa Educação Física voltada à formação do cidadão crítico, que inclua as dimensões atitudinais e conceituais nos seus planos de trabalho.

Especificamente neste trabalho, o objetivo foi levantar princípios básicos sobre como a Educação Física pode organizar os seus conteúdos do 6º ao 9º ano de forma integrada à proposta político pedagógica da escola. para isso, os livros didáticos de ciências e História foram analisados identificando-se os temas e conteúdos tratados na escola. Esclarecemos que não estamos propondo que a Educação Física fique à mercê das outras disciplinas. A proposta é que o professor aproveite o que seus alunos estão aprendendo em outras disciplinas estabelecendo relações com os conteúdos específicos da Educação Física. Não se trata de ensinar Ciências e História. Trata-se de ensinar profunda e amplamente os conteúdos da Educação Física levandose em consideração outros conteúdos escolares, supondo que isto facilitaria o aprendizado dessa disciplina.

Em outras palavras, o que se está buscando neste estudo é a construção de princípios para o professor de Educação Física ter mais elementos ao organizar os conteúdos referentes à disciplina na escola. É importante salientar que nesse texto utiliza-se o termo princípios considerando-o como regras de caráter geral que regem um conjunto de fenômenos (FERREIRA, 1988), que permitem a interlocução da Educação Física com os conteúdos dos livros didáticos das demais disciplinas.

Para atingir tal objetivo, foram consultados os conteúdos das disciplinas de História e Ciências das coleções de livros didáticos do 6º ao 9º ano, estabelecendo relações possíveis com os conteúdos da Educação Física escolar. Com isto, buscou-se construir princípios que possam auxiliar a Educação Física na sequência e distribuição dos seus conteúdos conforme os ciclos escolares.

Optou-se pelas disciplinas de Ciências e História devido à maior proximidade com as questões da Educação Física e também porque não haveria condições de num único trabalho, dar conta de analisar todas as outras disciplinas escolares, o que seria desejável para futuros estudos.

GONZALEZ (2006) entende que haveria inúmeros benefícios para a Educação Física na escola caso ocorresse a sistematização dos seus conteúdos. O autor acredita que a Educação Física como componente curricular é responsável por um determinado campo de saber, assim é necessário explicitar o conjunto de conhecimentos e explicar como eles se organizam. Além disso, a sistematização dos conteúdos facilitaria a aprendizagem dos alunos, nos casos em que há mudanças de escola, ao mesmo tempo que a sistematização pode oferecer maior legitimidade aos professores e as propostas que buscam a ampliação dos conteúdos.

 

Conteúdos e livro didático

Devem-se considerar três importantes características dos conteúdos, a fim de compreender melhor o tema sobre como selecioná-los: primeiramente são amplos e numerosos; são provisórios; e não se aplicam a qualquer contexto.

Em relação à primeira característica, há uma enorme variedade de conteúdos possíveis à aula de Educação Física, trata-se de um número tão grande de saberes a ponto de não ser possível implementar todos em um programa escolar.

É o que também destacam RESENDE e SOARES (1997, p.31), indagando sobre quais os conhecimentos que a escola deve transmitir, para os autores obviamente que não são todos os conhecimentos acumulados ao longo dos séculos. Porque não há tempo suficiente e porque muitos são superados. Por esta razão, a escola deve selecionar os conteúdos clássicos, que são entendidos como aqueles que não perdem sua atualidade para participação, compreensão e interpretação do mundo.

Mesmo com tantas possibilidades, o que se encontra nas aulas de Educação Física na escola são apenas os esportes tradicionais: futebol, voleibol, basquete e handebol. Conteúdos como o atletismo, ginástica artística, capoeira, judô, danças, atividades rítmicas, entre outros, aparecem raramente nas aulas (DARIDO, 2003; RANGEL-BETTI, 1995, p.25; SÃO PAULO, 2008).

A segunda característica da seleção dos conteúdos refere-se ao seu aspecto histórico. Todo o conhecimento produzido pela humanidade é essencialmente provisório, uma vez que foi elaborado em algum momento da humanidade (SOARES, TAFFAREL, VARJAL, CASTELLANI FLHO, ESCOBAR & BRACHT, 1992, p.33).

Além destes, outro fator que interfere na seleção dos conteúdos é que não se aplicam a qualquer contexto. ou seja, dependem da cultura local e da realidade em que a escola encontra-se inserida. Por tal motivo DAOLIO (2002a) considera um equívoco imaginar que todas as escolas devam trabalhar com um mesmo currículo fechado e inflexível, desconsiderando o contexto no qual está inserida. Por isso não concorda com a sistematização dos conteúdos na Educação Física, nos mesmos moldes das outras disciplinas.

DAOLIO (2002a, p.18) também destaca que, um programa de aulas que imponha, por exemplo, que o basquetebol deva ser ensinado a partir da 5ª série, no segundo bimestre do ano, seguindo a mesma estrutura pedagógica tida como universal e única, estará, no mínimo, desconsiderando as especificidades locais, ainda mais quando esta organização vem de outra realidade. Não estará respeitando a tradição histórica e a dinâmica cultural do grupo.

Os argumentos de DAOLIO (2002b) calcam-se na perspectiva cultural e sua preocupação é com a desvalorização do conhecimento e da técnica que o aluno já possui, sua cultura sobre diversos gestos motores. o autor vislumbra que o programa curricular pode resultar em uma estrutura rígida e inflexível e isto não seria aceitável.

Já outros autores posicionam-se favoravelmente a um programa curricular e ainda vislumbram benefícios que justificam o estabelecimento da sistematização dos conteúdos. KUNZ (1994), por exemplo, entende que a elaboração de um programa mínimo poderia resolver a "bagunça" interna da disciplina, um programa de conteúdos baseado na complexidade e com objetivos definidos para cada série de ensino. Esse programa traria opções para o professor que implementa um mesmo conteúdo, com a mesma complexidade, tanto para o 6º ano do Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio.

PAES (2002, p.91-92) denomina e descreve esse problema como a "prática repetitiva de gestos técnicos em diferentes níveis de ensino": as mesmas práticas ou atividades são repetidas nos diferentes níveis de ensino, por exemplo, o voleibol praticado no sexto ano é o mesmo praticado no Ensino Médio. Isso revela a falta de consideração das fases de desenvolvimento do aluno e comprova que o esporte é tratado como um fim em si mesmo. O autor ainda aponta que esse é um dos motivos da evasão dos alunos das aulas.

Na verdade, entende-se que os mesmos conteúdos devem ser tratados em diferentes momentos da escolaridade e de diversas maneiras, proporcionando a ampliação de conhecimentos tanto em extensão quanto em profundidade.

Algumas propostas curriculares chegaram a ser elaboradas durante todo o período da Educação Física na escola no século XX e início deste século, sobretudo por órgãos públicos e outras poucas por autores e pesquisadores da área. Segundo a Proposta Curricular de Educação Física do Estado de São Paulo (SILVEIRA, 2005, p.2) um problema que influenciou a construção desses programas foi que "historicamente a Educação Física foi identificada muito mais como uma atividade curricular e não como uma disciplina, em virtude da confusão que se fazia entre atividade física e Educação Física". Essa visão sobre a Educação Física dificultou a definição de um corpo de conhecimentos.

Tratando-se de livros didáticos, este sempre foi um produto rentável às empresas editoras, no entanto é preciso destacar que a Educação Física é uma exceção no uso de livros didáticos na escola. Do ponto de vista histórico-econômico, estas tiveram crescimento surpreendente até mesmo na entrada da década de 80 quando a economia nacional que estava estagnada despencou de vez. Por tais motivos HÖFLING (2000), MOLINA (1988) e PINSKY (1985) indagam se com a existência de um mercado tão atrativo a intenção maior na produção de um livro didático não estaria no lucro financeiro ao invés de estar presente nas finalidades pedagógicas e na busca da qualidade de ensino.

O processo de questionamento do livro didático e a oposição à sua utilização tiveram início no século XX, por meio de diferentes movimentos progressistas. A maior parte das críticas aos objetivos e conteúdos desses materiais é de caráter ideológico. MUNAKATA (2003) ressalta que os livros didáticos foram identificados como suporte da ideologia oficial e em muitos casos ela foi entendida como oposto da ciência.

De acordo com ZABALA (1998) uma crítica comum aos materiais didáticos considera que a maior parte desses livros trata os conteúdos de modo unidirecional e por causa de sua estrutura não oferece ideias diferentes em relação à linha de pensamento estabelecida. São livros que transmitem um saber baseado em estereótipos culturais. Nesse caso é aconselhável apresentar outros materiais, com pontos de vistas divergentes, que permita que cada professor implemente o seu projeto de ensino de acordo com o contexto e realidade dos alunos, e além disso, esteja integrado à proposta político pedagógica da escola.

Outra crítica recorrente dos livros didáticos refere-se à apresentação de conhecimentos acabados e sem possibilidade de questionamento, impedindo o conflito, que é fonte de criação cultural e científica. Além das críticas aos próprios materiais, outras são apresentadas em relação às consequências de sua utilização nas aulas, como por exemplo, provocar atitude de passividade nos alunos, já que impede uma participação efetiva dos mesmos tanto no processo de aprendizagem quanto na escolha dos conteúdos, limitando a iniciativa e curiosidade, permitindo somente a utilização das estratégias baseadas nos próprios materiais didáticos (ZABALA, 1998). Nesse caso também o papel do professor é importantíssimo, mediando debate e apresentando problemas, permitindo a reflexão.

Entendemos que quando um professor adota um livro didático por meio de um processo de escolha antecipada, ele está adotando um material de auxílio à sua aula e ao aluno. Isso não significa que deva tratar de todos os assuntos que estão presentes no livro, nem necessariamente na ordem em que se apresentam. A adoção do livro também não supõe que o mesmo seja o determinante de como serão as aulas.

Assim ocorre porque todo professor deve orientarse pelo projeto político pedagógico (PPP) da escola, documento elaborado em conjunto entre professores e direção mais pertinente à sua realidade, uma vez que trata do contexto que se insere, seus problemas e suas características. O livro didático é apenas mais um em meio a tantos elementos pedagógicos previstos pelo PPP como: projetos, atividades extracurriculares, passeios pedagógicos, festividades e etc.

 

Método

Este estudo é de natureza qualitativa e tem como ferramenta de coleta e análise dos dados o método de análise documental. Esta é uma pesquisa qualitativa, pois se pretendeu realizar certo tipo de olhar analisando documentos, especificamente, coleções de livros didáticos das disciplinas escolares de História e Ciências, buscando apontar interfaces com o conteúdo da Educação Física na escola.

Para BARDIN (1977, p.95) existem três etapas básicas no trabalho com análise de conteúdo: 1) pré-análise; 2) exploração do material; 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. Para a mesma autora, a pré-análise diz respeito à organização do material propriamente dito, com isso é possível sistematizar as ideias iniciais e formular um programa flexível, porém preciso. No caso dessa pesquisa a intenção foi analisar coleções de livros didáticos e como esse universo é muito vasto, utilizaram-se os Guias de Livros Didáticos de História e Ciências que descrevem as características de cada coleção inscrita no programa nacional do livro didático para selecionarem-se coleções de História e Ciências bem avaliadas.

Materiais e procedimentos

Para este trabalho foram utilizados os Guias de Livros Didáticos de 2005 de História e Ciências do Programa Nacional do Livro Didático, disponibilizado pelo programa no site do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (http://www.fnde.gov.br/home/livro_didatico/livro_didatico.html - acessado em 19/jul./2005). Cada guia apresenta a descrição das coleções de livros que foram aprovadas pelo programa, sem qualquer tipo de restrição, para o triénio letivo de 2005-2007.

Foram utilizadas também, oito coleções de livros didáticos de 6º ao 9º ano referentes à disciplina de História e cinco coleções referentes à disciplina de Ciências, todos aprovados pelos guias e, portanto, pelo programa. As coleções de livros são compostas por quatro livros didáticos, uma para cada ano do Ensino Fundamental II: 6º, 7º, 8º e 9º anos. O guia apresenta uma resenha que contém informações sobre as características gerais das coleções, dos conteúdos, dos aspectos metodológicos, bem como de seus principais elementos positivos e negativos, que foram objeto de observação detalhada durante o processo de avaliação (MIRANDA, 2005, p.5).

Em um primeiro momento, utilizando-se os Guias de Livros Didáticos de História e Ciências de 2005 foram analisadas as resenhas de todas as coleções aprovadas a fim de melhor entender o universo pesquisado. Com isso, identificaram-se diferentes possibilidades de seleção e sequência dos conteúdos apresentadas em cada coleção bem como a qualidade das mesmas. Com esses dados, os guias possibilitaram a seleção de coleções de acordo com dois critérios: que representassem diferentes formas de sistematização e possuíssem boa qualidade.

Partindo para um segundo momento, a análise específica das coleções selecionadas captou mais precisamente a sistematização de conteúdos de cada coleção. Assim, os conteúdos presentes e a forma como foram organizados em cada coleção puderam ser comparados chegando-se a um quadro com os conteúdos mais apontados em cada série escolar e em cada disciplina. Por fim, emparelharam-se nas diferentes séries escolares os conteúdos mais comuns de História e Ciências a conteúdos relacionados da Educação Física, ou seja, indicou-se os assuntos da Educação Física que se relacionam aos temas dessas disciplinas.

 

Resultados e discussão

A seguir serão apresentados os resultados e análises da pesquisa realizada utilizando-se coleções de diferentes editoras relativas à disciplina de História e Ciências. Os conteúdos retratados em uma mesma série escolar em pelo menos metade das coleções, quatro para História e três para Ciências, foram apontados a seguir. Nem todos os conteúdos apontados pela disciplina de História ou Ciências possuem temas que possam se relacionar com a Educação Física, bem como, nem todos os conteúdos da Educação Física foram apontados nos resultados. É importante frisar que não buscamos forçar as relações entre as disciplinas e sim apontar possíveis correlações.

Para relacionar os temas que podem ser tratados de forma interdisciplinar, recorremos às contribuições de diversos autores e tendências pedagógicas da Educação Física, embora se reconheçam as diferenças teóricas e ideológicas existentes entre elas. Neste estudo buscou-se a pluralidade de concepções, já que todas podem trazer contribuições relevantes para a problemática levantada, qual seja, a elaboração de princípios de sistematização dos conteúdos.

História

6º ano

Os Conteúdos do 6º ano registrados em pelo menos quatro coleções de História são: introdução à História; primeiros seres humanos, primeiros homens americanos, primeiras civilizações (Egito antigo, Hebreus, Grécia antiga e Império Romano).

A introdução à História traz explicações que identificam a disciplina aos alunos. Explicam conceitos que serão importantes para a compreensão da disciplina durante todo o ensino fundamental e médio. Conceitos como: o tempo, história de vida, formas de registros históricos, relatos históricos, a arqueologia, o papel do historiador, etc.

Neste sentido, imaginou-se tratar dos principais conceitos que serão usados nas aulas de Educação Física, inclusive termos, expressões, linguagens e materiais. Dessa forma, o aluno pode compreender os sentidos e objetivos da disciplina na escola, o que é cultura corporal de movimento, as diferenças entre esportes, jogos, brincadeiras e lutas e outros assuntos que o professor julgar necessários. O que se pretende aqui é esclarecer ao aluno o que é uma aula de Educação Física.

Os resultados apontam que a História trata no 6º ano dos primeiros seres humanos na Terra, seu desenvolvimento em pequenos grupos, até as primeiras grandes civilizações, como os hebreus, egípcios, gregos e romanos. Esses assuntos remetem à Educação Física a discussão de temas como a linguagem corporal, que foram as primeiras formas de comunicação entre os homens e o estilo de vida que era muito ativo e diferente do atual. A atividade física era vinculada ao trabalho, pois sobreviviam com a caça, a pesca, a coleta de frutas e verduras, a plantação de alimentos e pastoreio de animais. Todas essas ações corporais utilizadas para a sobrevivência estão relacionadas à cultura corporal de movimento.

GONÇALVES (2004) aponta um exemplo da velocidade das mudanças vivenciadas atualmente que podem se constituir numa perspectiva interessante dentro da temática da linguagem corporal e suas transformações. Segundo o autor, do total de 800 gerações, 650 foram passadas nas cavernas e a comunicação era essencialmente corporal, o que deve nos acompanhar ainda hoje, de alguma forma. Há apenas 70 gerações foi possível a comunicação de uma geração para a outra pela invenção da escrita, e somente as 10 últimas gerações puderam ter acesso à comunicação de massa com a invenção da imprensa. E apenas a última geração conheceu o computador.

Na Grécia antiga surgiram as olimpíadas, competição realizada com provas de atletismo cuja finalidade era homenagear os deuses do Olimpo. Essas provas compreendiam corridas, saltos e lançamentos e todas as atividades relacionadas ao estilo de vida da época como a sobrevivência, caça e guerras.

As olimpíadas, o maior evento esportivo mundial da atualidade, que se realizava antigamente é muito diferente da competição de hoje. Mesmo com os propósitos de integrar os povos, os objetivos não deixam de centrar-se na competição, na definição de um vencedor e na movimentação econômica por trás do consumo esportivo.

Ao estudar a Grécia antiga na disciplina de História, mais elementos contribuirão para o entendimento do que as olimpíadas significavam na época de seu surgimento, bem como da visão sobre o corpo, sobre o atleta, da presença do esporte nas artes e etc. Esses temas são pertinentes para o entendimento da evolução dos jogos e brincadeiras ao longo da história da humanidade e da transformação do jogo em esporte, conteúdos também sugeridos pelos PCNs (BRASIL, 1998, p.95).

Durante o império romano, sabe-se que no coliseu eram disputadas batalhas até a morte, entre homens e entre homens e animais. Muitos prisioneiros de guerra assim como presos eram submetidos às lutas enquanto milhares de pessoas os assistiam. isso se configurava como um show de entretenimento para a população de tamanha significância a ponto de ser utilizado por alguns imperadores como forma de amenizar os problemas da sociedade. A política do pão e circo mantinha as classes mais pobres entretidas, evitando rebeliões. O entendimento do esporte enquanto espetáculo; o uso do esporte com finalidades políticas; e as lutas são conteúdos propostos pelos PCNs (BRASIL, 1998) e podem ser implementados tendo como ponto de partida o império romano.

CARREIRO (2005) aponta para a necessidade de incluir as lutas no contexto escolar com os seguintes conteúdos na dimensão procedimental: equilíbrios e desequilíbrios, quedas, rolamentos e golpes. Na perspectiva conceitual sugere o estudo das lutas de origem orientais tais como; o judô, o caratê, o Aikidô, o Kendô, o Tai-Chi-Chuan, e de outras origens. Acrescenta na dimensão conceitual as transformações das lutas, seu contexto histórico, filosofia e as transformações das lutas do contexto esportivo ao contexto escolar. Na dimensão atitudinal, o autor propõe discussões a respeito da violência, respeito, diálogo, justiça e solidariedade a partir da vivência das lutas na escola.

7º ano

Os Conteúdos do 7º ano registrados em pelo menos quatro coleções de História são: idade Média, islamismo, Expansão Marítima, América Espanhola, Cana-de-açúcar no Brasil, Renascimento Cultural, Reformas Religiosas, Escravismo no Brasil. Nessa série os principais temas são relacionados à religião e ao trabalho no qual podem ser destacadas questões relacionadas ao esporte, como por exemplo, a extinta lei do passe no futebol, questão que determinava a posse dos direitos federativos de um atleta por determinado clube, instituição ou empresário. Depois de um longo processo, essa lei foi modificada, novos artigos passaram a vigorar e atualmente as bases das negociações são em contratos com prazos e multas estabelecidos.

Com relação à questão religiosa, a História aponta o islamismo como conteúdo para o 7º ano. A partir desse assunto podemos discutir as características dessa e de outras religiões sobre o papel do corpo, da mulher e os desdobramentos na relação com a cultura corporal de movimento. Algumas religiões exigem das pessoas regras sobre como se vestir. As mulheres devem, por exemplo, cobrir-se quase que totalmente com peças de roupas e véus, inclusive para a prática de esportes, o que dificulta às possibilidades de movimento. No entanto, o respeito deve estar sempre presente nas questões relacionadas às diferenças. Este deve ser o posicionamento dos professores.

8º ano

Os Conteúdos do 8º ano registrados em pelo menos quatro coleções de História são: mineração no Brasil, revoluções (industrial, francesa, puritana e gloriosa), independência (EUA, América espanhola e Brasil), iluminismo, 1º reinado, período regencial, 2º reinado, abolição da escravidão, socialismo e capitalismo.

O período que vai desde a independência do Brasil até o segundo reinado, antecedendo à proclamação da república, relaciona-se com os seguintes temas para Educação Física: o surgimento e desenvolvimento da capoeira e a chegada ao Brasil dos métodos ginásticos europeus.

A capoeira esteve amplamente presente na vida dos escravos como forma de resistência e como preservação de seus rituais e danças, ou seja, de sua cultura. IORIO e DARIDO (2005) afirmam que a Capoeira tem origem em diversos movimentos, é uma síntese de danças, lutas e instrumentos musicais de diferentes culturas e nações africanas. No entanto, estas atividades são apenas o ponto de partida porque a Capoeira é diferente de todas elas sendo criada por africanos no Brasil. Assim, é uma manifestação corporal genuinamente nacional, que dá identidade ao povo brasileiro.

Ao estudar a escravidão nas aulas de História, os alunos irão se deparar em vários momentos com informações sobre como os negros escravos viviam, sua cultura, anseios, costumes, a estrutura das fazendas e etc. Ao aprender capoeira o aluno pode perceber que a letra de muitas músicas, movimentos, ritmos e atitudes na roda fazem referência ao cotidiano desse período. Isso pode proporcionar um aprendizado melhor e mais significativo. RESENDE e SOARES (1997) e SOARES et al. (1992) também sugerem a inclusão da Capoeira no universo escolar e seu tratamento não só na ótica do saber fazer, mas também com o resgate histórico desde sua origem.

Os livros didáticos de História discorrem sobre três outros conteúdos que influenciaram a institucionalização dos métodos ginásticos na Europa e de alguns esportes na Inglaterra. O continente se encontrava em meio a processos como a revolução francesa, o iluminismo e a revolução industrial. A política nacionalista era muito disseminada na Europa nos séculos XVIII e XIX, devido a constante preocupação em manter-se preparado para a guerra e servir ao seu país. Afinal, nesse período guerras eram comuns e a França, por exemplo, liderada por Napoleão Bonaparte tentava expandir seus territórios pela Europa.

A suécia, Dinamarca e Alemanha, países que foram atacados nas guerras napoleónicas, sentindose oprimidos pelas derrotas que sofreram, tentavam reerguer-se e voltar à condição que ocupavam antes. Estes passaram a valorizar mais ainda os ideais nacionalistas a partir de então (BETTI, 1991).

Nesse período as escolas começavam a inserir programas de atividade física em seus currículos. Os métodos ginásticos, que já eram incipientes em alguns desses países, ganharam mais destaque ainda, por conta de suas possibilidades de preparar a população para a guerra. Mesmo com a saída das tropas inimigas desses países, o método ginástico continuou ganhando espaço e inserindo-se fortemente nas escolas e na vida das pessoas. A partir daí, os métodos foram disseminados até mesmo em outros países.

De acordo com DARIDO e RANGEL (2005, p.233) os alunos devem conhecer a origem e o desenvolvimento da ginástica até os dias atuais, como também devem aprender a identificar os conhecimentos da ginástica em outras manifestações da cultura corporal de movimento. A Inglaterra, entre o século XVIII e XIX, encontrava-se em uma situação diferenciada. A possibilidade e preocupação de ser atacada eram pequenas porque possuía uma poderosa frota marítima e se localizava em uma ilha, só era possível ter acesso à Inglaterra atravessando o mar. Outra diferença em relação aos demais países europeus, é que o país estava acumulando cada vez mais dinheiro das relações comerciais estabelecidas; juntamente com o propósito da burguesia, que ganhara poder no século XVII, de desenvolvimento econômico; e dos estímulos oriundos das doutrinas puritanas e calvinistas (BETTI, 1991).

Somado a tudo isso, ainda houve o processo de revolução industrial que elevou a influência econômica e política da classe média no país. Dentre suas reivindicações, exigiram melhores condições de acesso à educação e, mais tarde, conseguiram inserir-se em novas escolas, onde se desenvolviam os jogos esportivos como o críquete e o futebol pelas altas classes (BETTI, 1991).

Em um resgate histórico, o professor pode diferenciar o contexto em que se inseria a Inglaterra e países como Suécia, Dinamarca e Alemanha e relacionar com a institucionalização do futebol e dos métodos ginásticos. Certamente, todas estas reflexões tem significativa importância para serem debatidas na escola, sobretudo no 8º ano do Ensino Fundamental.

9º ano

Os Conteúdos do 9º ano registrados em pelo menos quatro coleções de História são: expansão industrial, guerras mundiais, era Vargas, guerra fria, movimentos contestadores e culturais da década de 60, regime militar brasileiro, globalização, socialismo, revolução russa, crise de 1929, descolonização da África e Ásia, Cuba, império no Brasil, redemocratização brasileira (de JK ao golpe de 1964).

Durante o regime militar, na década de 70, as conquistas brasileiras na copa do mundo de futebol e de Emerson Fittipaldi no automobilismo serviram como propaganda política em campanhas nacionalistas. Exaltar estas conquistas era exaltar o povo brasileiro e o regime político da época. Além disso, enquanto as pessoas estivessem lendo nos jornais, comentando nas ruas, ouvindo nos rádios as notícias e transmissões dessas conquistas, não estavam discutindo as questões políticas, tão presentes naquela época (CASTELLANI FILHO, 1994).

Nesse caso, ao discutir-se na disciplina de História as características das ditaduras militares brasileiras, podemos realizar ligações e compreender como se influenciam: a cultura e política de um país e o esporte.

Outro exemplo de relações entre política e esporte ocorreu durante a 2ª guerra mundial, quando os nazistas, sobretudo na figura de Hitler, investiam pesadamente nos esportes com o propósito de provar a supremacia da raça ariana. Mais tarde nas olimpíadas no período da guerra-fria, EUA e URSS disputavam palmo a palmo a supremacia nos esportes a fim de afirmar sua superioridade econômica e bélica tornando o esporte um componente da guerra. As vitórias eram usadas como propaganda para se sobrepor um ao outro. Nesse período foram investidos milhões em pesquisas para formação de atletas resultando em novos recordes esportivos.

O professor de Educação Física pode discutir quais são os objetivos que os atletas têm ao praticar o esporte de alto nível e quais os objetivos que um governo pode ter com esse atleta. De que modo o governo pode influenciar e utilizar o atleta e suas vitórias; quais atitudes podem ser tomadas para atingir os objetivos; e de que forma o espectador pode posicionar-se diante tudo isso. Estas são questões que os alunos devem entender sobre as relações entre política e esporte.

Durante a década de 60, movimentos contestadores e articulados surgem destacando diferentes manifestações artísticas: música, teatro, cinema, fotografia, pintura, poesia, etc. Dentre seus interesses encontram-se a valorização de práticas corporais alternativas oriundas principalmente do oriente. Assim começou-se a introduzir e a popularizar na sociedade ocidental vigente essas práticas, conforme esclarece TERRA (2005).

O professor de Educação Física pode introduzir aos seus alunos diferentes práticas corporais alternativas, como massagens, relaxamentos, ioga, reflexologia, eutonia e ginásticas. Além da vivência propõe-se discussões sobre suas características: o entendimento de um ser humano holístico, a busca pelo autoconhecimento, a desvalorização da competitividade entre outras. Isso permite entender os objetivos e benefícios dessas práticas bem como as diferenças para com os esportes.

Desde a expansão industrial as empresas passaram a influenciar não só a economia mundial. Atualmente em um mundo globalizado, diversas empresas ligadas ao esporte lucram enormemente com a venda de equipamentos e acessórios esportivos, com a propaganda de produtos em eventos esportivos, com os direitos de transmissão de imagens, com a venda de ingressos, etc. Quanto mais pessoas interessarem-se por eventos esportivos, maiores serão os lucros dessas empresas.

Por exemplo, no Brasil não é muito comum a transmissão de partidas de handebol, nem a comercialização de camisas, tênis, bolas, ingressos e veiculação de notícias desse esporte. O desinteresse da população inibe que todos esses produtos sejam comercializados, portanto, não permite a empresas de material esportivo lucrarem com esse esporte, nem aos patrocinadores vincularem sua imagem em diferentes mídias. Provavelmente no dia em que a seleção nacional de handebol vir a vencer um importante torneio, as portas para esse mercado se abrirão e os produtos terão as suas vendas aumentadas. Além disso, o esporte passará a ganhar espaço na mídia, o que irá atrair patrocinadores que comprarão os direitos de propaganda das equipes e nos meios de comunicação, ou seja, acontecimentos em série promoverão o lucro de diversas empresas.

Esse mesmo fenômeno ocorreu no Brasil com a ginástica artística e o tênis e, nesses casos, as empresas ligadas a essas modalidades tiveram um novo mercado para explorar com os bons resultados alcançados por alguns atletas. Entender as características da expansão industrial e da economia globalizada, conteúdos de História, permite desvelar as influências econômicas presentes no esporte e a formação de um olhar crítico.

Ciências

6º ano

Os Conteúdos do 6º ano registrados em pelo menos três coleções de Ciências são: ecossistema e habitat, seres vivos, atmosfera, ar e poluição, previsão do tempo, água (estados físicos, pressão, fonte de energia, consumo, poluição e doenças), camadas da Terra, rocha, solo (tipos e doenças), agricultura, lixo e reciclagem, astronomia.

Em sua maioria, os conteúdos do 6º ano são sobre o tema meio-ambiente e as suas interfaces com o solo, o ar e a água. Segundo TÂHARA (2004), existem atividades que estão intimamente ligadas ao meio-ambiente em que acontecem e recebem denominações como: esportes de aventura, ecoturismo, esportes radicais, "outdoor activities", esportes californianos. Utilizaremos a denominação de atividades físicas de aventura na natureza (AFAN), preferida também por tal autor. Para BETRÁN (2003), alguns exemplos de atividades praticadas no ar são: voo livre, balonismo, paraquedismo, "bungee jump". São exemplos de atividades na terra: o "trekking", rapel, "skate", "snowboard", "mountain bike" e escalada. Na água pode-se citar o surfe, o "rafting", o mergulho livre, o bóia-cross e "duck".

Entendemos que natureza ou o meio-ambiente envolvido na atividade é um componente que sensibiliza seus participantes. É mais do que o local onde acontece a prática, pois faz parte da mesma. Nesse sentido, entender suas características é fundamental para compreender as sensações que os participantes tem ao vivenciá-las.

Muitos esportes procuram a padronização dos espaços e materiais com regras rígidas. Algumas provas do atletismo, por exemplo, não são válidas para efeito de recorde quando acontecem com vento moderado ou forte. Em contrapartida, as modalidades das AFAN buscam justamente o contrário: ambientes diferenciados que permitem uma diversidade de relações, técnicas e desafios.

Mesmo nos casos em que a prática dessas atividades não possa ser experimentada na escola, o professor de Educação Física pode apresentar as características gerais bem como indicar possíveis espaços de vivências das mesmas. Ainda assim, adaptações podem ser realizadas na escola ou as vivências podem ocorrer em passeios e atividades complementares.

O solo e a água constituem outra relação entre meio-ambiente e cultura corporal de movimento, uma vez que podem alterar a forma como se desenvolvem o jogo de futebol, vôlei, tênis, brincadeira, a dança ou qualquer outro. Nesses esportes, o tipo de piso interfere na determinação das técnicas e estratégias a serem utilizadas. No futebol de areia, em muitos momentos os jogadores necessitam levantar a bola e fazer jogadas aéreas, uma vez que ela não rola perfeitamente pela mesma. Outros exemplos são as caminhadas e corridas feitas em pista ou na areia, a natação executada no mar, na piscina, lagoas ou no rio, pedalar em uma trilha na montanha, no parque ou na cidade.

Dependendo das possibilidades da escola, o professor pode implementar um mesmo jogo em diferentes tipos de piso: em um gramado, em uma quadra de concreto, na areia ou na terra. Sobre o debate, o professor pode direcionar a respeito das possibilidades e restrições que cada tipo de meio provoca na execução das técnicas e dos movimentos de determinado jogo, como as regras podem ser modificadas para um melhor desenvolvimento do jogo, quais cuidados devem ser tomados, quais benefícios existem em cada meio.

A disciplina de Ciências ainda aponta no 6º ano o debate sobre o consumo da água pelo ser humano. A água é o principal elemento a ser ingerido pelo homem e nosso organismo a utiliza para as mais diferentes funções. Dentre essas funções, a água é muito consumida em ambientes em alta temperatura e quando executamos atividades físicas. Quanto mais intensa ou duradoura a atividade mais água nosso organismo necessita. Essa é uma das relações entre água e exercício que podemos discutir nas aulas de Educação Física.

O professor deve explicar aos alunos a importância da água em um organismo em intensa atividade física, como no sistema circulatório, no interior das células, no processo de suor, na produção de energia e na excreção dos resíduos corporais. Além disso, deve proporcionar aos alunos o entendimento sobre as sensações que o organismo emite quando necessita de água, sobre quais momentos devem beber água, em que quantidade e com que frequência.

Segundo CENP (SÃO PAULO, 2005, p.27), "o processo de termo-regulação deve ser introduzido para que os alunos tenham condições de julgar qual a vestimenta mais adequada para cada situação de prática [...] assim como conceitos de reposição hídrica e de pausas frequentes". A Educação Física pode discutir a respeito da predisposição a obter hábitos saudáveis com esses temas, conteúdos que os PCNs (BRASIL, 1998) e DARIDO e RANGEL (2005) apontam o seu tratamento em sala de aula.

7º ano

Nessa série, a disciplina de Ciências aborda os seres vivos desde os mais simples aos complexos, com exceção do ser humano. Por conta disso, as possibilidades de combinações com a Educação Física escolar, pelos critérios adotados nesse trabalho, são muito reduzidas ou nulas.

Entretanto, é possível que em determinados contextos algumas relações possam ser realizadas, como por exemplo, a presença de certo animais em determinados esportes. É o caso do cavalo e sua participação no hipismo.

8º ano

Nessa série, os livros de Ciências tratam do ser humano durante todo o ano letivo, mais especificamente as funções fisiológicas do organismo humano em cada um de seus sistemas: esquelético, muscular, digestivo, circulatório, endócrino, reprodutor e os sentidos.

Sendo assim, muitos conteúdos podem ser desenvolvidos pela Educação Física uma vez que o próprio estudo sobre o corpo humano configura-se como um conteúdo. Os PCNs (BRASIL, 1998), denominam um bloco de conteúdos como conhecimentos sobre o corpo. A discussão que permeia todos esses aparelhos e se relaciona com a Educação Física é a saúde, como aponta GUEDES (1999).

Apresentamos a seguir as articulações entre o exercício físico e os diferentes aparelhos.

O sistema esquelético e muscular é responsável pela locomoção e movimentação do ser humano e mantêm um estreito vínculo com a cultura corporal de movimento. Segundo os PCNs (BRASIL, 1998, p.69) este deve ser "abordado sob o enfoque da percepção do próprio corpo, sentindo e compreendendo".

A discussão sobre hábitos posturais também é pertinente e diz respeito às possibilidades e necessidades biomecânicas versus a construção sociocultural da atitude corporal. Por que diferentes povos assumem diferentes posturas para caminhar, para sentar e para comer uma refeição são exemplos para esse tema (BRASIL, 1998, p.69). Os problemas posturais advindos do estilo de vida, das influências culturais, dos hábitos pessoais também constituem conteúdos apontados por GUEDES (1999).

O papel da musculatura em termos estéticos e das práticas corporais usadas para esses fins são outros temas para discussão na escola. A estética é um dos principais motivos que levam pessoas a frequentarem academias e clubes e a praticarem atividade física regularmente, como a mídia influencia esse comportamento, quais atitudes as pessoas têm para atingir suas metas estéticas e que consequências se desenrolam aos praticantes nesse processo (BRASIL, 2002).

Alguns problemas referentes a esse processo são: o uso de anabolizantes e remédios para emagrecimento que possuem efeitos colaterais maléficos à saúde, além da participação em rigorosos programas de atividade física. Para a discussão desses problemas, GUEDES (1999, p.13) considera importante que o professor incentive a incorporação de atitudes orientadas para uma vida saudável.

O sistema endócrino corresponde à regulação de processos fisiológicos por meio de hormônios produzidos por glândulas. Durante a atividade física, alguns são liberados para melhorar o desempenho físico proporcionando maior força ou resistência. Após a atividade física, outros hormônios também são ativados para auxiliar na recuperação do organismo.

Retomando a discussão sobre anabolizantes e suas consequências ao aparelho muscular, o professor pode discutir os efeitos hormonais no ser humano. A ingestão descontrolada pode provocar graves problemas como a incapacidade de voltar a produzir tal hormônio, tornando o indivíduo dependente de sua aquisição externa. Outra possibilidade é o câncer em alguns órgãos. Portanto, é importante promover discussões sobre os malefícios e crenças relacionadas ao exercício físico, como apontam RESENDE e SOARES (1997), DARIDO e RANGEL (2005) e PCNs (BRASIL, 1998).

A digestão consiste no processo de ingestão alimentar e sua degradação absorvendo os nutrientes presentes nos alimentos. Os nutrientes podem ser substâncias como vitaminas, proteínas, minerais, gorduras, carboidratos.

O ser humano tem necessidade de ingerir diversos tipos de nutrientes regularmente e a insuficiência ou a ingestão desenfreada pode provocar o mau funcionamento do organismo. A melhor forma de controle é no momento da ingestão, através de uma alimentação balanceada. É necessário promover nas aulas a educação para atitudes positivas frente aos hábitos alimentares (GUEDES, 1999).

A partir desses conhecimentos, o aluno deve entender que é possível alimentar-se bem e ainda assim manter o peso corporal, principalmente em conjunto com um programa de atividade física. Porém, muitas vezes é necessário que novos hábitos alimentares sejam agregados à vida cotidiana (GUEDES, 1999).

O sistema circulatório é responsável pelo transporte de substâncias pelo corpo atingindo todas as células do organismo. Já, o sistema respiratório é responsável pela captação de oxigênio do meio ambiente. A articulação desses sistemas é fundamental no processo de produção de energia. O oxigênio captado pelos pulmões é transportado pelo sangue até o interior das células onde se combina com os nutrientes extraídos dos alimentos para a produção de energia. É essa energia que impulsiona os músculos para contração muscular. Por isso o tema constitui em um dos assuntos mais estudados pela Educação Física.

Durante a atividade física intensa, a frequência respiratória aumenta consideravelmente assim como o consumo de oxigênio. Esse também é um indicador de intensidade e esforço, como declara os PCNs (BRASIL, 1998). A percepção dessa variável é relativamente simples, por isso, o professor pode utilizá-la em suas aulas.

Para GUEDES (1999) informações como a duração, intensidade e tipo de atividade física são importantes ainda mais articuladas a conceitos quanto ao porquê e como praticar essas atividades.

Outro conteúdo apresentado pelas Ciências, os sentidos, são as formas de captação de informações do meio exterior pelo ser humano. A visão, audição, olfato, tato e paladar nos tornam capazes de conhecer os objetos do meio-ambiente, bem como sua localização, formas, características, cores, sabores e composição. Devido a sua importância, os sentidos também devem ser educados na escola (FREIRE & SCAGLIA, 2003).

Nessas atividades, o professor também terá a chance de discutir com os alunos sobre deficiências visuais, auditivas e físicas, bem como as dificuldades que estas implicam na vida cotidiana de muitos portadores e como é para um portador praticar diferentes tipos de tarefas. Esse debate, se bem dirigido, pode favorecer a valorização do respeito às diferenças e às pessoas com necessidades educacionais especiais.

Outro tema encontrado nos livros de Ciências é o sistema reprodutor e suas relações com adolescência, gravidez e sexualidade.

Além do entendimento das diferenças culturais entre meninos e meninas, o professor pode tratar também das diferenças biológicas, afinal, elas existem. Em geral, o componente biológico determina algumas características a cada sexo que, mesmo influenciadas pela cultura, ainda se mantém. Os meninos possuem, em média, maiores possibilidades de desenvolver a força e a resistência, já as meninas apresentam melhores desempenhos para a flexibilidade. Com todas essas informações o professor pode relacionar o papel e rendimento de ambos nos esportes.

Para GUEDES (1999, p.13) é importante proporcionar aos educandos fundamentação e conhecimentos para os credenciam a praticar atividade física durante toda infância e pelo resto da vida. Dentre esses conhecimentos, os referentes a elaborar programas de atividade física saudáveis. Por isso consideramos o tratamento de todos esses conteúdos sobre o corpo humano que permeiam a disciplina de Ciências e Educação Física como ferramentas fundamentais para atingir tal credenciamento.

9º ano

Os livros de Ciências no 9º ano iniciam o tratamento de outras duas áreas científicas: a física e a química. Durante esse ano letivo, são apresentados e introduzidos as principais leis, temas e conceitos sobre essas áreas. Identificamos na física, a mecânica e seus componentes cinemática e dinâmica, como possíveis fontes de informações para o debate sobre as técnicas corporais, habilidades motoras, equilíbrio e postura na Educação Física.

A cinemática caracteriza-se como o estudo dos movimentos dos corpos, sem considerar como eles foram provocados ou como é o objeto em movimento. É, portanto, o estudo das características da trajetória, da velocidade, da distância e da direção.

Quando consideramos as causas de determinado movimento e as características do objeto que se movimenta ou se equilibra, estamos no campo da dinâmica. um aspecto importante é que todo movimento é causado por alguma força em certo momento. Quando se fala em cinemática, associa-se a ideia de movimento, quando se fala em dinâmica, pensa-se em força. A mecânica é o estudo desses dois campos.

Segundo os PCNs, para se conhecer o corpo humano é necessário abordar conhecimentos anatômicos, fisiológicos, bioquímicos e biomecânicos. Os conhecimentos da biomecânica estão relacionados à anatomia e a adequação de hábitos gestuais e posturais, como levantar um peso e equilibrar objetos (BRASIL, 1998, p.68-69). O professor pode apresentar as posturas adequadas e os erros comuns para diferentes situações do cotidiano, como dormir, assistir televisão, alimentar-se, estudar, ficar de pé, etc. Pode ainda, adicionar os problemas posturais decorrentes da admissão de posições inadequadas, como a escoliose, lordose e cifose. se for possível, executar uma avaliação postural com a participação de todos os alunos e atentá-los para os problemas usando um painel quadriculado, por exemplo.

Esses são, no nosso entender, as possíveis relações sobre a as técnicas corporais, habilidades motoras, equilíbrio e postura entre a Educação Física e a mecânica.

O objetivo deste estudo foi levantar princípios básicos sobre como a Educação Física na escola pode organizar os seus conteúdos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental de tal modo que ela esteja integrada à proposta político pedagógica mais ampla da escola. Para atingir este objetivo realizou-se uma pesquisa qualitativa de análise documental, mais especificamente, coleções de livros didáticos das disciplinas escolares de História e Ciências.

Os resultados mostraram que estes documentos apresentam muitos conhecimentos que podem auxiliar a sistematização de conteúdos da Educação Física na escola, sendo que os principais são: no 6º ano iniciar pela compreensão dos sentidos e significados da cultura corporal de movimento e linguagem corporal; identificar junto aos alunos às transformações relativas ao estilo de vida; abordar temas das Olimpíadas e Lutas; tratar das Atividades Físicas de Aventura e Natureza; relacionar exercício e meio ambiente: ar, água e solo; apontar importância da hidratação e do exercício físico; no 7º ano tratar de valores relacionados ao respeito ao diferente, sobretudo nas questões da religiosidade; no 8º ano ênfase nos métodos ginásticos no Brasil vindos com a presença da família real ao país; discussão sobre o surgimento da Capoeira e as suas transformações ao longo de todo o império brasileiro até os dias atuais; abordar questões relacionadas aos aspectos fisiológicos do exercício; no 9º ano tratar de questões vinculadas ao esporte, economia e mercado, Práticas Corporais Alternativas e Paraolimpíadas. Abordar conceitos de mecânica a habilidades motoras; tratar de postura e do sistema muscular-esquelético.

Os resultados deste estudo reforçam a necessidade de incrementar a participação do professor na construção do projeto político pedagógico da escola na medida em que permite que o docente contribua com as propostas da escola, conheça os livros didáticos adotados pelas outras disciplinas e crie em conjunto com outros docentes da escola projetos de ensino a serem realizados durante o ano. Do mesmo modo, esta participação permite que os demais professores conheçam o corpo de conhecimentos específicos da Educação Física e qual seu papel nos projetos escolares.

A partir da realização deste trabalho buscou-se indicar não uma estrutura única, rígida e definitiva. Contrariamente, enfatizamos a necessidade de que o professor conheça em profundidade a cultura dos alunos e do entorno. No entanto, acreditamos que os professores podem utilizar alguns princípios básicos para facilitar a sistematização dos conteúdos. Na verdade, toda decisão pedagógica envolve escolhas por parte do professor e nenhuma decisão poderá ocorrer sem considerar a sua formação e qualificação.

Em função dos dados obtidos nesta pesquisa pode-se afirmar que o mesmo futebol ao longo das séries pode ser analisado de diferentes pontos de vista. No 6º ano, apropriando-se do debate sobre o meio-ambiente, pode-se tratar das diferenças do tipo de piso entre o futebol de campo, futsal, futebol de areia e o futebol "society" e a partir daí, discutir as diferenças de regras, técnicas e táticas. Durante o 7º ano, a partir das discussões sobre trabalho, podem ser entendidas a extinta lei do passe e as novas leis trabalhistas do esporte. Ainda discute-se a rivalidade entre clubes e torcidas e até mesmo a hidratação dos atletas em uma partida. Nas aulas do 8º ano, a análise da institucionalização do futebol na Inglaterra no fim do século XIX. O debate também se prolonga a sua chegada ao Brasil e desenvolvimento no início do século XX. Além disso, implementar os processos fisiológicos do corpo humano, como o metabolismo energético e a resistência aeróbia, nesse esporte. No 9º ano, entender como o futebol foi utilizado e influenciado por regimes políticos em determinados momentos históricos, bem como o esporte influenciou a política e a cultura do país. As questões econômicas também podem ser entendidas nessa série, como os interesses das indústrias de materiais esportivos, de patrocinadores, da mídia e de federações. Ainda é possível aplicar os conceitos de mecânica às habilidades motoras envolvidas nos gestos técnicos desse esporte.

No caso desta pesquisa identificamos que é possível ter ênfases diferentes conforme a série escolar. Por exemplo, em todos os anos os alunos devem ter informações sobre o significado e a importância da Educação Física na escola, seus objetivos e finalidades. Todavia, no sexto ano o conceito de cultura corporal, linguagem corporal e memória podem ser enfatizados em função de que os alunos também estarão discutindo estas questões na disciplina de História. No caso de Ciências, por exemplo, ficou evidenciado neste estudo que aspectos fisiológicos relacionados ao exercício terão maior impacto na aprendizagem se ocorrerem no 8º ano.

 

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Recebido para publicação: 03/01/2011
Revisado: 09/05/2012
Aceito: 25/05/2012