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Scientia Agricola - GIRDLING AND GIBBERELLIC ACID ON THE FRUTIFICATION OF 'MARIA' SEEDLESS GRAPEVINE

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vol.56 issue2FORAGING AREA OF THE UNDERGROUND TERMITE Heterotermes tenuis (ISOPTERA; RHINOTERMITIDAE) IN SUGARCANEEARLY GROWTH AND SEEDLING MORPHOLOGY OF SPECIES OF Sesbania Scop. (Leguminosae, robinieae) author indexsubject indexarticles search
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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol.56 n.2 Piracicaba  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000200010 

ANELAMENTO E ÁCIDO GIBERÉLICO NA FRUTIFICAÇÃO DA UVA 'MARIA' SEM SEMENTES1

 

Geovanita Paulino da Costa Kalil2,4*; Maurilo Monteiro Terra2,4; Antonio Nascimento Kalil Filho3; Jefferson Luiz Vasconcello de Macedo3; Erasmo José Paioli Pires2,4
2Seção de Viticultura - IAC, C.P. 28 - CEP:13001-970 - Campinas, SP.
3EMBRAPA - CNPF, C.P. 319 - CEP:83411-000 - Colombo, PR.
4Bolsista do CNPq.

 

 

RESUMO: Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a resposta do cultivar Maria (IAC 514-6) ao anelamento e à aplicação de ácido giberélico na concentração de 200ppm, no início ou após o florescimento, para as características dos cachos, bagos e engaços. O experimento foi realizado em Jundiaí, SP, e o delineamento estatístico foi inteiramente casualizado, com doze tratamentos e cinco repetições. Não foram detectados efeitos de época de anelamento ou de aplicação de ácido giberélico. Efeitos significativos do anelamento no tronco ou nos ramos e da aplicação do ácido giberélico ou de ambos os tratamentos foram detectados para as características estudadas. Os incrementos verificados para essas características foram semelhantes ao serem aplicados os fatores isoladamente ou em conjunto.
Palavras-chave: videira cv. Maria, anelamento, ácido giberélico

 

GIRDLING AND GIBBERELLIC ACID ON THE FRUTIFICATION OF 'MARIA' SEEDLESS GRAPEVINE

ABSTRACT: This work was conducted to evaluate the response of grapevine cultivar Maria (IAC 514-6) to branches and trunk girdling at the beginning or after flowering, associated or not with gibberellic acid sprating (200ppm) on clusters, berries and raquis characteristics. The experiment was conducted at Jundiaí, SP, Brasil, in a complete randomized design, with 12 treatments and 5 replications. No effect of girdling time nor GA3 application were detected. Significative effects of trunk or branche girdling and GA3 application or from both treatments together for all the characteristics evaluated of the berries, clusters and raquis were observed. The application of each treatment alone or in combination influenced grape quality in a similar manner.
Key words: girdling, gibberellic acid, seedless grapevine cv Maria

 

 

INTRODUÇÃO

O mercado consumidor internacional de uva de mesa tem preferência pelos cultivares sem sementes. Entretanto, estes requerem práticas culturais como anelamento e aplicação de reguladores de crescimento, que influenciam no tamanho e no desenvolvimento da cor dos bagos, na antecipação da maturação, afetando, ainda, a compacidade e o pegamento dos frutos (Weaver, 1976).

O anelamento ou incisão anelar, prática usual na viticultura em outros países, é incomum no Brasil. Consiste na remoção de um anel de casca do tronco ou de ramos lenhosos de 3 a 6mm de largura. Como conseqüência, ocorre acúmulo de carboidratos acima de incisão, quando a casca é completamente removida (Pommer et al., 1991). O anelamento influencia diretamente o desenvolvimento da inflorescência e frutificação (Le Clerc du Sablon, 1905; Murneek, 1941; Winkler et al., 1974). Conseqüentemente, os bagos têm seu tamanho aumentado em cultivares sem sementes, podendo, ainda, ocorrer a antecipação da maturação, aumento no número de bagos e no pegamento, de cultivares que possuem cachos ralos, durante ou imediatamente após o florescimento (Winkler et al., 1974).

A ação da giberelina vem sendo intensivamente estudada em viticultura. Aplicações efetuadas desde o aparecimento da inflorescência até o início da maturação visam principalmente ao aumento da produção através do aumento do peso dos cachos e dos bagos e à obtenção de cachos medianamente soltos (que dispensam a operação de desbaste e facilitam o controle de doenças). Além disso, a aplicação do ácido giberélico pode acarretar no engrossamento dos pedicelos e engaços e obtenção de frutos sem sementes, com diminuição do ciclo da videira, antecipando-se o período de colheita (Pereira & Oliveira, 1976).

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a resposta do cultivar de uva de mesa sem sementes Maria (IAC 514-6) ao anelamento e à aplicação de ácido giberélico, no início ou após o florescimento, para as características dos cachos, engaços e bagos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no ciclo vegetativo de 1995, em vinhedos comerciais da Chácara Extra-Vitis, de propriedade de Carbonari e Caniato, localizada no Bairro do Poste, Município de Jundiaí, SP, situado a 23º06' de latitude sul, 46º55' de longitude oeste e 715m de altitude, em latossolo vermelho-amarelo.

As videiras em estudo estavam com 12 anos de idade e enxertadas sobre o porta-enxerto IAC 766 'Campinas'. Essas videiras estavam plantadas no espaçamento de 2 x 1,5m, sendo conduzidas no sistema de espaldeira com 3 fios de arame, com poda em cordão esporonado, deixando-se 3 a 4 gemas por ramo produtivo.

Os tratos culturais, o controle de pragas e moléstias e o sistema de adubação foram feitos de acordo com a recomendação de Pires & Terra (1986).

Como fonte de giberelina foi usado o Pro-Gibb, produto comercial embalado e comercializado pela Divisão de Produtos Agropecuários da Abbott Laboratórios do Brasil Ltda, em que 10 gramas do produto correspondem a 1 grama de ácido giberélico. Novapal, um policondensado de ácido láurico e amino álcool produzido pela Bayer do Brasil S.A, a 0,1%, foi empregado como agente surfactante.

A aplicação da solução contendo ácido giberélico, baseou-se na imersão total por 10 segundos das inflorescências ou cachos, no período das 8:00 horas às 10:00 horas da manhã.

As soluções de ácido giberélico, na concentração de 200ppm, foram preparadas com água destilada momentos antes da aplicação.

O anelamento no tronco principal foi realizado com incisor de lâmina dupla, com largura de corte de 6,3mm. Nos ramos do ano, foi feito com incisor tipo alicate, também com lâmina dupla, com largura de 4,7mm. Nos tratamentos com anelamento nos ramos do ano, foram anelados 3 ramos por planta nas 5 repetições.

As podas das videiras foram realizadas em 24/07/95 e as colheitas em 04/12/95 quando os frutos apresentavam teor de sólidos solúveis de 13,2º Brix, acidez total de 15,2meq/g/l (NaOH) e pH de 3,1.

O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente casualizado com doze tratamentos e cinco repetições, sendo cada parcela constituída por 1 planta, totalizando 60 plantas.

Os tratamentos obedeceram o esquema seguinte:

  1. Planta sem anelamento, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, no início do florescimento - SACGIF;
  2. Planta com anelamento no tronco principal, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, no início do florescimento - ATSGIF;
  3. Planta com anelamento no tronco principal, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, no início do florescimento - ATCGIF;
  4. Planta sem anelamento, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, após o florescimento - SACGPF;
  5. Planta com anelamento no tronco principal, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, após o florescimento - ATSGPF;
  6. Planta com anelamento no tronco principal, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, após florescimento - ATCGPF;
  7. Planta com anelamento nos ramos do ano, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, no incío do florescimento - ARSGIF;
  8. Planta com anelamento nos ramos do ano, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, no início do florescimento - ARCGIF;
  9. Planta com anelamento nos ramos do ano, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, após o florescimento - ARSGPF;
  10. Planta com anelamento nos ramos do ano, com cachos imersos na solução de ácido giberélico, após o florescimento - ARCGPF;
  11. Planta sem anelamento, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, no início do florescimento -SASGIF;
  12. Planta sem anelamento, sem cachos imersos na solução de ácido giberélico, após o florescimento -SASGPF.

Completado o ciclo da cultura, com os frutos perfeitamente sazonados, efetuou-se a colheita dos cachos marcados, em número de 3 por planta, avaliando-se posteriormente os seguintes dados: 1- Peso, largura e comprimento dos cachos, 2- Peso, largura e comprimento dos engaços, 3- Peso, largura, comprimento dos bagos e diâmetro do pedicelo, 4- Número de bagos por cacho, 5- Peso médio de 30 bagos subamostrados por cacho.

Foram realizadas as análises de variância dos contrastes ortogonais pelo programa SAS entre médias de tratamentos para as características mensuradas nos bagos, cachos e engaços segundo Gomes (1985). Estas análises foram divididas em duas etapas, a primeira no sentido de se verificar o efeito de época, e a segunda para verificar os efeitos dos tratamentos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias dos doze tratamentos efetuados encontram-se na TABELA 1. Verifica-se que os tratamentos-controle apresentaram sempre resultados inferiores àqueles em que foi realizado o anelamento e a aplicação de ácido giberélico.

 

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Os resultados da época de anelamento e/ou aplicação de ácido giberélico nas características de bagos, cachos e engaços são apresentados na TABELA 2. Constata-se que não foram detectados efeitos estatisticamente significativos para a maioria das características. Baseado nestes resultados, numa segunda etapa, foram analisados os tratamentos, não considerando os efeitos de épocas de anelamento e/ou aplicação de ácido giberélico.

 

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Estes resultados discordam dos estudos realizados por Winkler (1953) e Pires (1988) e concordam com os estudos de Pires et al. (1987). Winkler (1953) constatou efeito do anelamento em diferentes épocas no cultivar Thompson Seedless, concluindo que o anelamento deve ser feito logo após a queda das flores inviáveis, o que ocorre após o florescimento. Pires et al. (1987) estudaram a influência de doses, épocas e número de aplicações de ácido giberélico na uva 'Iracema', não observando diferenças significativas entre as diferentes épocas para as variáveis analisadas. Pires (1988) constatou que as doses de 400 e 800ppm de ácido giberélico, aplicadas 14 dias após a floração em cachos do cv. Maria promoveram grande aumento no peso dos cachos e dos bagos.

Os valores das médias dos contrastes ortogonais para as diferentes características dos bagos, cachos e engaços estão apresentados na TABELA 3.

 

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As análises de variância dos contrastes ortogonais encontram-se na TABELA 4. As figuras 1 a 12 ilustram as médias dos diversos testes de anelamento e aplicação de ácido giberélico.

 

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Figura 1 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o peso de bagos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 2 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o comprimento de bagos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 3 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre a largura de bagos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 4 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o diâmetro do pedicelo de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 5 - Efeito do anelamento de aplicação do ácido giberélico sobre o número total de bagos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 6 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o peso de 30 bagos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 7 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o peso de cachos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 8 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o comprimento de cachos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 9 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre a largura de cachos de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 10 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o peso do engaço de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 11 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre o comprimento do engaço de uva cultivar Maria.

 

 

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Figura 12 - Efeito do anelamento e aplicação do ácido giberélico sobre a largura do engaço de uva cultivar Maria.

 

Nesta análise não foram considerados efeitos de época de anelamento e/ou aplicação de ácido giberélico, uma vez que estes não foram significativos para a quase totalidade das características de bagos, cachos e engaços do cultivar Maria, conforme comentado anteriormente.

Na tabela 4 observa-se os efeitos significativos do anelamento no tronco (contraste SGSA/SGAT) ou nos ramos (SGSA/SGAR) em relação à plantas não aneladas; da aplicação do ácido giberélico em relação ao controle (SGSA/CGSA); do anelamento no tronco ou nos ramos do ano mais a aplicação do ácido giberélico em relação à plantas controle (SGSA/CGAT e SGSA/CGAR) para todas as características dos bagos, cachos e engaços do cultivar de uva de mesa sem sementes Maria.

Nesta mesma TABELA, verifica-se que em plantas que receberam aplicação do ácido giberélico, o efeito do anelamento nos ramos (contraste CGAR/CGSA), foi significativo ou altamente significativo para peso, comprimento, largura, número total e peso de 30 bagos, bem como para o peso e largura dos engaços.

O efeito do anelamento nos ramos em relação ao anelamento no tronco, em plantas em que foi aplicado o ácido giberélico (contraste CGAR/CGAT) foi significativo ou altamente significativo para peso, comprimento, largura, número total e peso de 30 bagos e peso dos engaços. O anelamento no tronco produziu efeito mais pronunciado que o anelamento nos ramos, para as características de peso, comprimento, largura, peso de 30 bagos e diâmetro do pedicelo. Para as demais características, o anelamento nos ramos foi superior ao no tronco (contraste CGAR/CGAT) (TABELAS 3 e 4).

Verifica-se ainda na tabela 4 que, na ausência de aplicação de ácido biberélico, não foi observado efeito do anelamento no tronco em relação ao anelamento nos ramos (contraste SGAR/SGAT), o que demonstra que a aplicação do ácido giberélico potencializou o efeito do anelamento para certas características.

Foi observado efeito da aplicação do ácido giberélico em plantas aneladas nos ramos (contraste CGAR/SGAR) para largura, número total de bagos, e peso e largura dos engaços (TABELA 4). Pela magnitude das médias da TABELA 3, pode ser constatado que este efeito foi devido ao anelamento nos ramos no caso da largura dos bagos, e devido ao ácido giberélico para as demais características.

Não foram observados efeitos significativos do anelamento no tronco ou nos ramos do ano na ausência do ácido giberélico (contraste SGAR/SGAT), nem efeito do anelamento no tronco em plantas que receberam aplicação do ácido giberélico (contraste CGAT/CGSA), conforme mostra a TABELA 4.

A TABELA 5 apresenta os incrementos médios nas características dos bagos, cachos e engaços, quando são comparados pares de médias (contrastes ortogonais entre médias).

 

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Na TABELA 5, os maiores incrementos médios, percentuais obtidos pelo efeito do anelamento, ou pelo efeito do ácido giberélico, ou pela combinação dos dois fatores foram: variação de 42,9% para diâmetro do pedicelo a 250% para peso dos engaços quando o anelamento foi realizado no tronco na ausência de GA3; variação de 33,1% para comprimento dos cachos a 259,8% para peso dos engaços quando o anelamento foi feito nos ramos do ano na ausência de GA3; variação de 43,1% para largura dos bagos a 285,3% para peso dos engaços quando foi aplicado o ácido giberélico na ausência de anelamento; variação de 42,2% para largura das bagos a 302,9% para peso dos engaços quando combinado o anelamento no tronco com o ácido giberélico; e finalmente variação de 22,9% para largura dos bagos a 440,2% para peso dos engaços quando combinado o anelamento nos ramos com ácido giberélico.

O incremento do anelamento no tronco para a característica do peso dos bagos foi de 100%, enquanto que o anelamento nos ramos aumentou o peso dos bagos em 84,5% (TABELA 5 e Figura 1). O comprimento e a largura dos bagos do cultivar Maria, por sua vez, aumentaram em 43,5% e 46,8%, respectivamente, com o anelamento no tronco, e em 33,1% e 41,3% com o anelamento nos ramos do ano (TABELA 5, Figuras 2 e 3). Estes efeitos foram altamente significativos para todas estas características, conforme pode ser atestado na TABELA 4 (contrastes SGSA/SGAT e SGSA/SGAR).

Os incrementos obtidos pelo anelamento no tronco ou nos ramos e/ou aplicação do ácido giberélico acarretaram, portanto, aumentos variáveis no peso, número e dimensões (comprimento e largura) dos bagos, cachos e engaços no cultivar de uva de mesa Maria.

Os resultados aqui apresentados concordam com os observados por Stewart et al. (1957) que conseguiram bagos 50% maiores com a aplicação do ácido giberélico nas doses de 10 ou 100ppm no cultivar Thompson Seedless, durante o florescimento.

Conforme mostram a TABELA 5 e a Figura 7, o aumento no peso dos cachos quando o anelamento foi realizado no tronco foi de 245,2% e de 187,2% quando o anelamento se fêz no ramo, incrementos estes altamente significativos conforme evidenciado na TABELA 4.

Zabadal (1992) constatou aumento significativo no peso dos cachos quando as videiras foram submetidas ao anelamento.

Os dados aqui apresentados são concordantes com essa observação. Peruzzo (1994), também constatou aumentos significativos no peso dos cachos do cultivar Ruby Seedless, em decorrência do anelamento nos ramos.

O anelamento efetuado no tronco aumentou o comprimento dos cachos em 56,8% e a largura dos cachos em 74,9%, enquanto que o anelamento feito nos ramos do ano resultou em cachos 48,9% mais compridos e 56,1% mais largos (TABELA 5, Figuras 8 e 9). Todos estes efeitos foram altamente significativos ou significativos para essas características (TABELA 4).

A aplicação do ácido giberélico provocou aumento de 98,8% no peso dos bagos e de 46,8% e 43,1% no comprimento e largura dos bagos da uva 'Maria' (contrastes SGSA/CGSA, TABELA 5). Constatou-se que estes efeitos obtidos foram altamente significativos (TABELA 4).

Estes resultados concordam com os de Sarooshi (1977), que verificou que pulverizações do ácido giberélico no cultivar Sultana, produziu cachos com bagos graúdos e mais pesados. Kasimatis et al. (1978) também obtiveram aumento no peso dos bagos da videira 'Thompson Seedless', aplicando o ácido giberélico em pleno florescimento.

Os tratamentos efetuados por Sarooshi (1977) não afetaram significativamente o tamanho dos engaços, resultados estes que diferiram dos obtidos pelo presente trabalho, no qual ocorreu aumentos de 285,3%, 46,4% e 194,0%, respectivamente, no peso, comprimento e largura dos engaços com a aplicação do ácido giberélico. Todos estes contrastes foram altamente significativos, segundo a TABELA 4. Lavin (1982), em experimento associando aplicação do ácido giberélico com desbaste de cachos, obteve aumento dos bagos e dos cachos com a aplicação isolada do ácido giberélico. No presente estudo, tanto o peso como o número de bagos aumentou, respectivamente, de 98,8% e 52,2%, com a aplicação do ácido giberélico (contraste SGSA/CGSA, TABELA 3).

Contudo, estudos prévios realizados por Ezzahouani et al. (1985) não lograram detectar aumentos significativos no peso de bagos com aplicações de ácido giberélico.

Os aumentos do número de bagos, peso e comprimento dos cachos, e peso dos engaços com a aplicação do ácido giberélico em plantas não aneladas foram de 52,2%, 194,2%, 50,0% e 285,3%, respectivamente (TABELA 5, Figuras 5, 7, 8 e 10). O efeito da aplicação do ácido giberélico foi significativo (contraste SGSA/CGSA, TABELA 4).

Colapietra et al. (1995), trabalhando com o cultivar de uvas sem sementes Centennial Seedless, constataram que a aplicação do ácido giberélico na frutificação mais poda dos cachos produziu maior aumento no peso dos cachos e no peso dos bagos. Os dados aqui encontrados são concordantes com essas observações.

O efeito complementar do anelamento nos ramos ou no tronco mais a aplicação do ácido giberélico foi evidenciado em expressivos aumentos nas características dos bagos e cachos. O anelamento no tronco com aplicação do ácido giberélico levou a aumentos de 94,0%, 46,0%, 42,2%, 49,6%, 199,6%, 50,0% e 77,9%, respectivamente, para peso, comprimento, largura e número de bagos, peso, comprimento e largura dos cachos em relação a plantas não aneladas no cultivar de uva sem sementes Maria (contraste SGSA/CGAT, TABELA 5, Figuras 1, 2, 3, 5, 7, 8 e 9). O anelamento nos ramos provocou aumentos de 58,9%, 28,2%, 22,9%, 127,0%, 213,7%, 65,0% e 85,8%, respectivamente, para peso, comprimento, largura e número total de bagos, peso, comprimento e largura dos cachos em relação a plantas não aneladas (contraste SGSA/CGAR, TABELA 5, Figuras 1, 2, 3, 5, 7, 8 e 9). Os efeitos para todas as características foram altamente significativos (TABELA 4).

Estes resultados concordam, de modo geral, com os alcançados por Ezzahouani et al. (1985), estudando os cultivares Thompson Seedless e Ruby Seedless. Entretanto, o peso dos bagos obtido no trabalho de Ezzahouani et al. (1985) para o cultivar Thompson Seedless, ao contrário dos resultados obtidos por esta pesquisa (TABELA 3), não aumentou com os tratamentos. O 'Ruby Seedless' apresentou respostas significativas quanto ao número de bagos por cacho e altamente significativos para o número de bagos/cm, o qual é considerado um bom indicador de compactação do cacho.

Estes resultados também estão em concordância com os obtidos por Pommer et al. (1995) que, ao realizarem experimento com o cultivar Maria, observaram que o anelamento, a aplicação do ácido giberélico e o anelamento mais a aplicação do regulador, apresentaram respostas significativas para peso, comprimento e largura de cachos e dos bagos.

No presente trabalho, não foi observado maior aumento nas características dos bagos, cachos e engaços quando o anelamento foi feito associado à aplicação do ácido giberélico. O anelamento feito isoladamente também não diferiu consistentemente da aplicação do ácido giberélico, que significa: visando-se a redução de custos, o produtor pode optar pelo anelamento ou pela aplicação do ácido giberélico realizados isoladamente. Estes resultados diferem dos de Pommer et al. (1995), que constataram efeito do anelamento mais a aplicação do ácido giberélico em relação ao anelamento ou aplicação de ácido giberélico feitos isoladamente. Neste trabalho também não foi constatado efeito superior deste regulador de crescimento em relação ao anelamento, fato este também verificado no trabalho de Pommer et al. (1995). O anelamento nos ramos também não diferiu do anelamento no tronco, sendo recomendado este último, por ser mais fácil de executar, com maior rendimento de mão-de-obra.

Nesta pesquisa, a aplicação do ácido giberélico produziu aumentos de 285,3%, 46,4% e 194,0% no peso, comprimento e largura dos engaços, respectivamente (contraste SGSA/CGSA); a aplicação do ácido giberélico acompanhada do anelamento no tronco levou a aumentos de 302,0%, 66,0% e 217,3% nas mesmas características dos engaços (contraste SGSA/CGAT) e a aplicação do ácido giberélico mais anelamento nos ramos permitiu o aumento do peso, comprimento e largura dos engaços de 440,2%, 66,3% e 272,0%, respectivamente (contraste SGSA/CGAR, TABELA 5, Figuras 10, 11 e 12). Todos estes efeitos foram altamente significativos (TABELA 4).

Não foram avaliados os número de cachos e da produção por planta com o anelamento ou aplicação do ácido giberélico, não permitindo a determinação de estimativas de produção por área e o cálculo do aumento da receita bruta obtida pelo produtor para cada hectare de área cultivada. Além disso, Weaver (1955) propõe a verificação do efeito do anelamento precoce, quando o teor de sólidos solúveis está na faixa de 5-6% com o objetivo de apressar a maturação. Este efeito permite a colocação da uva no mercado antecipadamente, permitindo ao produtor alcançar preços melhores. Estas informações complementares poderão ser levadas a efeito em trabalhos futuros.

Também poderiam ser introduzidos tratamentos com diversos número de aplicações e concentrações do ácido giberélico em diversas épocas, complementando os tratamentos efetuados neste trabalho.

Entretanto, o aumento no peso dos bagos e dos cachos, bem como nas dimensões dos bagos, cachos e engaços obtidos neste trabalho como resultado de anelamento e/ou aplicação do ácido giberélico, acarretaram melhoria no aspecto dos cachos de uva, facilitando e valorizando sua comercialização.

Os resultados deste trabalho estão de acordo com a literatura que afirma que a aplicação do ácido giberélico, associada ou não ao anelamento, constitui-se em tratamento utilizado para aumentar o tamanho dos bagos. Entretanto, nas TABELAS 4 e 5 e na Figura 5, podem ser observados que o número de bagos aumentou significativamente como conseqüência do anelamento e/ou aplicação do ácido giberélico, ao contrário do reportado em diversos trabalhos que afirmam ocorrer redução no número de bagos em cultivares de uvas sem sementes. O aumento no tamanho e número de bagos, por sua vez, redunda em melhoria da qualidade do produto para o mercado. Diversos trabalhos conduzidos no Brasil e no exterior sobre estes efeitos têm apresentado respostas variáveis. Pires et al. (1987) destacam que as respostas a esses agentes são dependentes principalmente do cultivar e das condições climáticas, determinando, assim, a necessidade de novas pesquisas no sentido de se descobrir a concentração adequada do ácido giberélico e as melhores épocas de aplicação.

 

CONCLUSÕES

Não foram detectados efeitos de época de anelamento e de aplicação de ácido giberélico para a maioria das características dos bagos, cachos e engaços.

Foram constatados aumentos significativos em todas as características quando o anelamento foi realizado no tronco e nos ramos do ano, e quando da aplicação do ácido giberélico, de forma isolada ou combinada com o anelamento.

Ocorreram altos incrementos percentuais em peso, comprimento e largura dos bagos, cachos e engaços como resultado do anelamento no tronco ou nos ramos do ano, com ou sem aplicação do ácido giberélico.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o Técnico de Apoio à Pesquisa Valdeir Biudes Hermoso e o Trabalhador Braçal Nereu Pedro dos Santos pelo auxílio na condução do experimento no campo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 19.01.98
Aceito para publicação em 20.07.98

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentada à ESALQ/USP - Piracicaba, SP.