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Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo - Polishing of amalgam restorations: an alternative technique using air abrasion

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Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo

Print version ISSN 0103-0663

Rev Odontol Univ São Paulo vol.12 n.4 São Paulo Oct./Dec. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-06631998000400007 

Dentística

 

Polimento de restaurações com amálgama: uma técnica alternativa utilizando jato de óxido de alumínio

Polishing of amalgam restorations: an alternative technique using air abrasion

 

José MONDELLI*
Rogério Fulgêncio PINHEIRO**
Lincoln Dias LANZA***

 

 


MONDELLI, J.; PINHEIRO, R. F.; LANZA, L. D. Polimento de restaurações com amálgama: uma técnica alternativa utilizando jato de óxido de alumínio. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 12, n. 4, p. 343-347, out./dez. 1998.

O polimento das restaurações com amálgama fornece uma superfície final mais lisa, diminuindo a quantidade de porosidades e favorecendo a resposta dos tecidos periodontais, aumentando, deste modo, sua longevidade. Desta forma, várias técnicas têm sido descritas, visando contribuir para a melhor qualidade das restaurações. Recentemente, a tecnologia do jateamento com óxido de alumínio tem sido difundida na clínica odontológica e, assim, os autores descrevem uma técnica alternativa de acabamento e polimento de restaurações com amálgama, utilizando o jato de óxido de alumínio, que permite obter clinicamente boas condições de lisura superficial.

UNITERMOS: Amálgama dentário; Polimento dentário.


 

 

INTRODUÇÃO

Dentre os materiais restauradores para uso direto na região posterior, o amálgama ocupa um lugar de destaque, sendo responsável pela maior parte dos trabalhos, principalmente devido ao seu baixo custo operacional associado a uma técnica menos sensível. As suas propriedades antibacterianas21;24;25 e a capacidade seladora das margens1;13;26 são também capazes de colaborar no aumento da longevidade. Porém, para que tais condições ocorram, é importante ressaltar que todos os passos operatórios são de importância crucial. Assim, toda restauração só deve ser considerada concluída quando estiver devidamente acabada e polida3;5;28. Esta etapa final de qualquer procedimento consiste em tornar a superfície o mais lisa possível4;16, através da utilização de instrumentos de abrasividade decrescente e agentes de polimento que resultem numa área livre de rugosidades, com menor acúmulo de placa, melhor comportamento dos tecidos periodontais, maior resistência ao aparecimento de manchas e corrosão2;8;10;29 e, conseqüentemente, maior durabilidade.

O óxido de alumínio já faz parte do cotidiano odontológico, seja incorporado a discos ou sob a forma de pastas para polimento16. Inicialmente, na década de 40, a tecnologia da microabrasão foi desenvolvida como um meio alternativo aos instrumentos de baixa rotação disponíveis na época para o preparo de cavidades. Porém, na década de 50, com o desenvolvimento da alta rotação, essa técnica foi praticamente abandonada, ressurgindo agora com os avanços na Odontologia Adesiva12. Assim, foi lançado o Microetcher II (Danville Engeneering Inc.), um aparelho que, acoplado ao equipo odontológico, permite um jateamento de óxido de alumínio, com partículas de 27 e 50 µm17. O óxido de alumínio é considerado um material inerte17 e, depois do diamante, a substância mais dura usada na Odontologia16. Promove um desgaste superficial, sendo utilizado para o tratamento da superfície de coroas metálicas, próteses adesivas e de núcleos a serem cimentados pela técnica adesiva. É indicado também para reparos em restaurações de resina composta e porcelana, limpeza de restaurações provisórias, remoção de cimento de coroas e de resina de brackets, além de promover microrretenções como também acabamento nas restaurações metálicas. Este trabalho descreve uma técnica alternativa de acabamento e polimento das restaurações de amálgama, utilizando um jato de óxido de alumínio (Microetcher II).

 

TÉCNICA

A qualidade do acabamento e polimento de uma restauração de amálgama está intimamente relacionada com as fases que os antecedem, não se podendo creditar somente à etapa de polimento a posterior lisura superficial da restauração. Assim, a seleção da liga e a adequada trituração, a condensação e a brunidura pré-escultura são fatores determinantes para a obtenção de uma restauração com menores níveis de porosidade, que dificilmente serão eliminadas durante o polimento. O acabamento imediato inicia-se logo após a condensação e está intimamente relacionado com a escultura, ou seja, a delimitação do perímetro da restauração, a remoção de excessos marginais e o ajuste da oclusão, que não devem ser negligenciados, pois resultariam em excessos com conseqüências clínicas deletérias aos tecidos periodontais e à oclusão. Para tanto, são utilizados instrumentos adequados, reproduzindo os detalhes anatômicos da estrutura dentária perdida pela cárie ou durante o preparo cavitário e ajustando as margens da restauração (Figura 1).

 

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A fase de acabamento mediato e polimento deve sempre ser postergada a uma segunda sessão clínica, de acordo com o tempo de cristalização da liga, a fim de que esta esteja totalmente cristalizada. Alguns autores3,6;7;9;11;12;20;22;23;27 sugerem que o polimento final das restaurações de amálgama não deve ser realizado antes de 24 ou 48 horas. Este deve ser feito com instrumentos rotatórios, sob refrigeração e com movimentos intermitentes, evitando o aquecimento e conseqüente afloramento de mercúrio. Desta forma, inicia-se com brocas de 12 lâminas, específicas para acabamento, que permitem um refinamento da anatomia oclusal, com os devidos cuidados, a fim de não remover a escultura previamente realizada (Figura 2). Os formatos selecionados devem adaptar-se às vertentes de cúspides, fóssulas e sulcos19, trabalhando a partir da margem cavitária para a restauração, evitando assim a formação de um degrau negativo.

 

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A utilização do jateamento com óxido de alumínio para a remoção de irregularidades ainda remanescentes na superfície do amálgama deve ser feita por 2 a 4 segundos com a ponta do dispositivo situada a 3 mm da superfície dentária (Figuras 3 e 4).

 

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Os fabricantes dos novos sistemas de microabrasão relatam que o paciente irá experimentar baixos níveis de exposição aos resíduos de óxido de alumínio via respiratória ou trato digestivo17. Assim, riscos são eliminados se o operador, sua equipe e o paciente forem devidamente protegidos com máscaras, óculos de proteção e isolamento absoluto17. Este cuidado visa, especialmente, evitar acidentes relativos à aspiração ou lesões resultantes da abrasão provocada pelo dispositivo. Recentemente, o relato de um caso de enfisema subseqüente ao uso de microabrasão sem a devida proteção do paciente mostrou ser indispensável o isolamento absoluto18. O tamanho das partículas utilizadas e a pressão submetida têm pouca influência no aspecto da superfície tratada15, mas a aplicação do Microetcher II deve ser direcionada somente à superfície da restauração, pois pode causar desgaste desnecessário do esmalte14. Ademais, ao contrário do que acontece com os equipamentos de alta e baixa rotação, o jateamento não fornece um controle tátil que poderia resultar na perda da anatomia já estabelecida.

O aumento na liberação de mercúrio e suas conseqüências após a abrasão ainda são assuntos controversos na literatura8. Portanto, cuidado também deve ser tomado, evitando-se o desgaste excessivo e o superaquecimento. O polimento inicial é realizado com escova Robinson tipo pincel modificada e taças de borracha, empregando-se pasta à base de pedra-pomes e glicerina19. Esta deve ser aplicada de forma intermitente e respeitando-se os diferentes planos cuspídeos. O polimento final é obtido usando-se pasta de óxido de zinco e álcool ou amalgloss. Alternativamente à técnica convencional, podem-se utilizar pontas de borracha abrasiva, sendo a de coloração marrom responsável pela remoção dos riscos mais grosseiros e as de coloração verde e azul responsáveis pelo polimento final. A união das duas técnicas (técnica mista) também tem sido amplamente empregada. Após a reanatomização com as brocas de 12 lâminas, utilizam-se as borrachas abrasivas marrom e verde. O brilho é finalmente alcançado com a pasta de óxido de zinco ou amalgloss, aplicados com escova Robinson tipo pincel (Figura 5).

 

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Nas superfícies proximais, os excessos mais grosseiros são removidos com os instrumentos cortantes manuais que se adaptarem à região, seguidos de tiras de lixa de granulação fina, sempre trabalhando com movimento vestíbulo-lingual abaixo da área de contato, evitando-se assim o seu desgaste. O brilho final é conseguido com fio ou fita dental embebidos nas referidas pastas19.

 

CONCLUSÕES

  1. A utilização do Microetcher II para jateamento da superfície da restauração pode ser viável para melhorar clinicamente a lisura superficial, proporcionando melhores condições finais ao polimento;
  2. puderam-se verificar, clinicamente, boas condições de lisura superficial em nível oclusal e de margens, e presença de brilho das restaurações polidas com a utilização dessa técnica;
  3. cuidados são necessários quando da utilização deste equipamento, sendo imprescindível a proteção com óculos e a utilização de isolamento absoluto, além do direcionamento adequado do jateamento à superfície da restauração, evitando desgaste excessivo do esmalte.

 

 


MONDELLI, J.; PINHEIRO, R. F.; LANZA, L. D. Polishing of amalgam restorations: an alternative technique using air abrasion. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 12, n. 4, p. 343-347, out./dez. 1998.

Polishing amalgam restorations results in a smoother surface, reducing the presence of porosities, favouring a good response of periodontal tissues and thus increasing the longevity of those restorations. Therefore, several techniques have been described in order to contribute to higher quality restorations. Recently, sandblasting devices have been introduced in dental practice and the authors describe an alternative technique for finishing and polishing amalgam restorations using sandblasting, which results in clinically adequate superficial characteristics.

Uniterms: Dental amalgam; Dental polishing.


 

 

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Recebido para publicação em 08/12/97
Reformulado em 15/06/98
Aceito para publicação em 01/07/98

 

* Professor Titular; ** Doutorando e *** Doutor em Dentística da Faculdade de Odontologia de Bauru - USP.